Higher: confira entrevista exclusiva com o guitarrista Gustavo Scaranelo

Publicado em 09/06/2016


Cezar Girardi e Gustavo Scaranelo são dois músicos profissionais bastante experientes e respeitados no cenário da música brasileira, especialmente nos campos do jazz e da música instrumental. Entretanto, nutrem outra característica em comum: a paixão pelo heavy metal.

Em 1995 fundaram a Second Heaven, banda que não deixou registros e foi desativada dois anos depois. A dupla passou então a se dedicar aos estudos acadêmicos de música, o que acabou por levá-los para outros segmentos onde fizeram carreira. Mas a paixão pelo metal manteve se pulsante durante todo esse tempo. Depois de uma conversa, decidiram reunir-se para tocar e compor heavy metal novamente. O resultado? Uma nova banda: Higher

Em entrevista exclusiva ao Agenda Metal, o guitarrista Gustavo Scaranelo, nos conta algumas curiosidades sobre a banda, sua história e o que vem por aí. Confira!

 


 

Por Priscila Ramos

A Higher nasceu através da reunião de dois integrantes da banda Second Heaven com o intuito de registrar composições antigas, porém veio a ideia de um novo projeto. Como foi esse processo? Os outros integrantes antigos não tiveram interesse em participar?

Gustavo Scaranelo -
 Eu e Cezar conversamos depois de algum tempo sem nos vermos. Pintou a ideia de registrar as músicas que havíamos feito naquela época. No começo era apenas essa a intenção, mas gostamos demais dos resultados e seguimos adiante com a ideia, logo estávamos compondo coisa nova e dando novo nome ao projeto. Os integrantes do projeto anterior estavam conosco num primeiro momento, mas diferentemente de mim e do Cezar, não haviam seguido a carreira musical e acabaram entendendo, ao passo que o projeto cresceu, que as novas responsabilidades e demandas do Higher não eram mais tão compatíveis com a agenda deles. Por isso acabamos completando a banda com músicos profissionais somente, sem outras profissões, que pudessem disputar atenção com as necessidades do projeto.


A banda lançou o disco de estreia em 2014, autointitulado, e foi bem recebido pela crítica e público em geral. Qual é a opinião da banda sobre o material? Atingiram os objetivos?

Gustavo - 
Gostamos muito do primeiro disco, e as críticas não poderiam ser melhores! Ter um primeiro disco reconhecido pela "originalidade", conforme lemos em várias resenhas é algo muito maior do que esperávamos. Nunca subestimamos o trabalho, mas não fizemos buscando essa ou aquela impressão do público, apenas fizemos um disco que gostaríamos de ouvir muitas vezes! (Risos). 


Na nova fase da banda, voltaram como Higher e não mais como Second Heaven. Qual é a origem do novo nome da banda?

Gustavo - 
O nome Higher veio a partir de uma conversa que tivemos sobre o que gostaríamos de falar com nossas músicas. Já que estávamos produzindo um material autoral de alcance desconhecido, queríamos dizer algo que fosse bastante importante e real em nossas vidas. Higher (mais alto) refere-se a uma condição humana mais alta, mais evoluída. Gostamos de tratar nas letras daquilo que entendemos ser pontos cruciais para a evolução humana. É antes de mais nada uma partilha dos nossos esforços como ser humano com os outros seres humanos, uma vez que nossa evolução é a principal razão, talvez a única para a nossa existência.    





Como está a agenda de shows e a divulgação do material?

Gustavo
 - A agenda está de acordo com nossas possibilidades, uma vez que estamos trabalhando no novo disco e isso requer muita dedicação e tempo disponível. Ainda assim estamos fazendo shows de acordo com nossas possibilidades. A divulgação do material continua a todo vapor através da nossa assessoria de imprensa Som do Darma, que tem feito um trabalho maravilhoso! 


Quais são os próximos planos e projetos? Tem um novo álbum a caminho ou existe a possibilidade da gravação de um DVD ao vivo?

Gustavo - 
Como disse, estamos trabalhando no novo álbum. Não acho que um DVD ao vivo seja interessante no momento, precisamos de mais assunto, um maior volume de composições antes de mais nada e estamos sedentos por isso! Isso não nos impede de colocar novos vídeos, no canal, inclusive estamos trabalhando nisso agora mesmo.





A Higher é muito ativa no Facebook, Twitter, Instagram, entre outras mídias digitais. Qual é a importância desse tipo de meio para promover as bandas de metal, sendo que as mesmas não têm muito o apoio das mídias convencionais?

Gustavo - 
Acredito que essas mídias digitais sejam extremamente importantes para o nosso trabalho, elas nos dão real visibilidade e informam as pessoas de forma bastante afetiva sobre a banda. Mas é importantíssimo, junto a esse trabalho, nossa atuação nos palcos e aproximação real com o público, de outra forma acabamos por gerar uma expectativa e não a cumprimos, acredito que esse ciclo se fecha com o convívio, da forma como ele é possível, com os fãs, através dos shows, participações em programas e outras possibilidades.     


Quais as bandas que vocês estão ouvindo ultimamente?

Gustavo - 
Ouço muita coisa de outros gêneros, mas confesso que atualmente tenho ouvido bastante Death Metal, posso citar Decapitated e Gojira como bandas que não saem do meu player. Mas compositores como Jobim e Guinga sempre estão na minha playlist. Gosto muito de pesquisar novos trabalhos, ou aquilo que eu simplesmente nunca ouvi. Mas em época em que estamos compondo, procuro não ouvir muita coisa que possa me influenciar, evito bandas com sonoridades semelhantes a nossa.       


Muito obrigada pela entrevista, deixo o espaço aberto para que enviem uma mensagem aos leitores do Agenda Metal.

Gustavo - 
Agradeço a oportunidade de falar sobre o Higher, que é um trabalho tão sério e tão prazeroso ao mesmo tempo, para nós! E volto a bater na tecla que tenho batido sempre que tenho a oportunidade: é fundamental que o fã de metal dê atenção as novas bandas. Numa época em que bandas autorais abrem os shows de bandas de cover, é importante lembrar que as bandas autorais vão levar o gênero adiante e trazer novo fôlego à cena. Se nos esquecermos disso, o metal vai envelhecer e virar uma expressão artística do passado, artigo de museu. E isso não pode acontecer com um gênero tão expressivo, genuíno e forte como é o metal. Ele depende de quem produz e de quem consome, sem essa troca a produção se tornará desnecessária ou inviável, e isso colocaria a cena em condições muito frágeis. Um salve a todas as bandas que estão impulsionando o metal, mesmo em meio às adversidades, com seus novos trabalhos! E um maior ainda a todos aqueles que dão atenção a essas bandas e valorizam seus trabalhos! Obrigado mais uma vez a vocês pela oportunidade!

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