Chris Cornell em Porto Alegre no Teatro do Bourbon Country

Publicado em 25/06/2013

Chris Cornell em Porto Alegre (17/06/2013)
Teatro do Bourbon Country


Por Luiz Fernando Vieira
Fotos: Sophia Velho


Na fria noite de segunda-feira, 17, Porto Alegre recebeu uma das vozes mais marcantes da década de 90. O ex-vocalista do Soundgarden, Temple of The Dog e Audioslave, Chris Cornell.

Trazendo na bagagem materiais de todos os períodos de sua carreira, o cantor norte americano proporcionou ao público quase duas horas de música acústica. Aliás, pode ser opinião pessoal, mas sempre tive a ideia de que shows acústicos costumam nos remeter a ambientes aconchegantes, uma atmosfera diferenciada que acaba proporcionando certa sensação de intimidade com o artista. É possível que o fato de Chris Cornell se apresentar sozinho, acompanhado “apenas” de sua voz e violão, tenha contribuído ainda mais para aumentar esse clima.



Mesmo com toda polêmica envolta dos preços dos ingressos, o Teatro do Bourbon Country recebeu um público bastante razoável. Aparentemente cerca de 50% dos lugares foram ocupados, algo em torno de 600 pessoas no local.

Embora tenha havido uma parceria/apoio para diminuir os preços, ainda assim esses ficaram bem distantes da realidade de muita gente. Inicialmente os valores iam de 250 a 900 reais, dependendo da localização. Mais tarde, os lugares mais caros (Plateia baixa e vip) ganharam um desconto de 40%. Mesmo com o valor “promocional”, é possível afirmar que os preços foram fator determinante para boa parte dos fãs na decisão de irem ao show.

Com início programado para as 21 horas, o show teve algum atraso. Às 21h30 foi dado um aviso para que o público mais distante se aproximasse do palco, onde havia muitos lugares vagos. Uma decisão sensata, mas que não deve ter agradado em nada quem investiu mais de 500 reais e acabou dividindo espaço com quem pagou metade disso.

Após o pedido, mais alguns minutos e às 21h36 surge Chris Cornell. Bastante a vontade com uma garrafa d’água em mãos, trajando jeans, tênis e camiseta branca.



Rapidamente o cantor cumprimenta “Pouurto Alegggrrre” e a plateia, em específico, para na sequência dar início ao show com três canções oriundas de trabalhos solo: “Scar on the Sky”, “As Hope and Promise Fade” – muito aplaudida pelo público - e “Ground Zero”.

Logo em seguida, “Say Hello 2 Heaven”, para relembrar os tempos de Temple of The Dog – Aqui ele faz uma breve pausa interagindo e brincando com o público sobre as sugestões de músicas vindas da platéia. O show segue com a ótima “Finally Forever”, “Call Me a Dog” e “Wooden Jesus”. Na sequência, um belíssimo cover de “Hotel California”, do Eagles.

Ao final do cover viria “Sunshower” - faixa exclusiva da versão japonesa de seu álbum de 1999, Euphoria Morning – seguida de “Hunger Strike”, última do Temple of The Dog a compor o set.

Mais um trabalho solo com “Seasons” e chegara o momento de introduzir canções do Soundgarden:“The Day I Tried to Live” foi a primeira a saciar os mais nostálgicos. A boa “When I'm Down” antecederia a entrada de materiais do Audioslave na brincadeira, que veio com “I Am the Highway”. “Can’t Change Me” seria a última canção solo. A partir daí Cornell apostou somente em materiais do Soundgarden e Audioslave.

Sem pausas, “Fell on Black Days” e “Black Saturday” (Soundgarden), manteram o público aquecidos até “Be Yourself” (Audioslave) e outro grande cover, executado com maestria: “Thank You” do Led Zeppelin.

Já passavam das 23h e a apresentação se aproximava do fim. Antes, “Doesn't Remind Me” e “Wide Awake”, dois belos frutos da parceria com Tom Morello, nos tempos de Audioslave.

O encerramento ficou por conta de “Blow Up the Outside World” (Soundgarden). Fechando as cortinas, literalmente, às 23h26. Aliás, foi nesse ponto, ao final do show, o momento “freak” da noite.

Durante “Blow Up the Outside World”, mais precisamente no final da música, Chris Cornell fez alguns ajustes nos pedais de efeitos “gravando” uma base de violão e voz. Em seguida o vocalista largou o instrumento, deixando o efeito ser reproduzido e retirou-se do palco.



Nada de mais..., foi tomar água! – garanto que quase todos presentes assim pensaram. Em seguida as luzes ascendem e os roadies entram no palco para dar início ao processo de desmontagem dos equipamentos. Meio surreal, mas realmente o show havia terminado. E terminado assim, ao melhor estilo supetão, sem uma única sílaba de despedida ou aceno por parte do cantor. Ficou evidente a perplexidade do publico que por alguns minutos ainda esperou e acreditou na possibilidade de um “bis” ou de uma singela despedida do artista. Atitude, no mínimo, esquisita.

Num contexto geral, sem dúvida foi um bom show. Cornell, literalmente, deixou tudo de si no palco. A cada música minha curiosidade aumentava para ver (e ouvir) como ele terminaria o show, “esgaçando” a voz daquela forma. Surpreendentemente, terminou como começou. Coisas do talento...

Importante ressaltar também as qualidades do Teatro do Bourbon Country. Internamente um espaço muito bonito que consegue entregar bastante conforto e, principalmente, uma acústica impecável.

Set List:
* Scar on the Sky
* As Hope and Promise Fade
* Ground Zero
* Say Hello 2 Heaven (Temple of the Dog)
* Finally Forever
* Call Me a Dog (Temple of the Dog)
* Wooden Jesus (Temple of the Dog)
* Hotel California (Eagles cover)
* Sunshower
* Hunger Strike (Temple of the Dog)
* Seasons
* The Day I Tried to Live (Soundgarden)
* When I'm Down
* I Am the Highway (Audioslave)
* Can't Change Me
* Fell on Black Days (Soundgarden)
* Black Saturday (Soundgarden)
* Be Yourself (Audioslave)
* Thank You (Led Zeppelin cover)
* Doesn't Remind Me (Audioslave)
* Wide Awake (Audioslave)
* Blow Up the Outside World (Soundgarden)