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SWU - Grandes shows e problemas de organização marcaram 1º edição

Publicado em 13/10/2010
SWU MUSIC & ARTS FESTIVAL
09, 10 e 11 de outubro de 2010
Fazenda Maeda - Itu/SP

Por Danilo


Quem foi a Itu atrás da promessa de um festival nos moldes dos grandes eventos internacionais, saiu bastante decepcionado. A maratona do SWU Music and Arts Festival, chegou ao final com 150 mil pessoas nos três dias do evento. Ao total foram 74 atrações competentes que dividiram as mais de 50 horas de música, mas com uma organização muito falha.

Confesso que fui ao SWU para ver 6 bandas: Rage Against The Machine, Infectious Grooves, Crashdiet, Cavalera Conspiracy, Avenged Sevenfold e Queens Of The Stone Age, ou seja, tive bastante tempo para analisar o funcionamento do SWU e verificar se a bandeira da sustentabilidade era recíproca com o público pagante, mas não foi o caso. No final da noite era grande a quantidade de lixo como latas, garrafas, sacos plásticos, etc. jogados no chão da arena, mas também não era raro encontrar latões de lixo com sua capacidade máxima esgotada, o que reflete a falta de funcionários para a limpeza do local. Ainda no primeiro dia do evento tive a infelicidade de presenciar uma situação no mínimo revoltante: Era proibida a entrada com qualquer alimento ou bebida (até mesmo água), a pessoa tinha que trocar seu dinheiro por fichas em caixas especiais para comprar alimentos no evento. Porém, duas horas antes do início do show do Rage Against The Machine, esgotaram-se essas fichas e não era aceito dinheiro nos quiosques. Então simplesmente não era possível comer no festival. O público presente no caixa começou a reclamar e causar tumulto onde a produção liberou um lote de fichas do dia seguinte, porém alguns quiosques não estavam cientes e simplesmente não aceitavam as fichas. Outro fato curioso é que as bebidas podiam ser encontradas em diversos pontos e diferente dos quiosques, porém aceitavam somente dinheiro e não as fichas. Outra reclamação foi a variação de preço do mesmo produto dentro da arena... você tinha que pesquisar antes de comprar. Outra coisa amplamente divulgada no site oficial do evento foi que o cartão seria aceito em praticamente todos os pontos, porém as máquinas não funcionavam. Tentei comprar uma camiseta em três lugares diferentes e todos estavam fora do ar. O mesmo ocorreu na compra de fichas para alimentação. Estava contente se o problema fosse somente os preços abusivos.

Outro grande problema foi a falta de segurança e também do despreparo dos profissionais disponíveis. O banheiro feminino foi invadido e praticamente virou "unisex". Casos de furtos onde os seguranças mal sabiam como preceder. Uma pena. Na saída mais um grande transtorno na falta de geradores no estacionamento. Muitas pessoas que esperavam os ônibus que estariam disponíveis para a volta, tiveram que dormir ao relento, gerando protestos de todos os tipos. Quem estava acampado também enfrentou todo tipo de problema: Tanto no camping comum quanto no pemium, havia dez chuveiros femininos e dez masculinos, e não era raro que algum deles parasse de funcionar durante o uso. Resultado: filas de até três horas para um banho de sete minutos!

No dia 11, uma grande confusão logo na entrada. Cheguei por volta das 14h00 pronto para ver a banda sueca Crashdïet, onde o show estava programado para começar às 15h35. E não consegui. Fiquei na porta do evento até às 16h20 tamanho tumulto. Sem nenhum segurança para orientar as filas, virou um empurra-empurra generalizado e muita reclamação. Questionei o segurança quando já estava dentro da arena, ele me disse que ou contrataram poucas pessoas ou a "organização" não esperava por tanta gente. Durante entrevista coletiva, Caco Lopes, coordenador da organização do festival, disse que sete mil pessoas não tinham comprado ingresso antecipadamente. "Nem o mais otimista esperaria tudo isso", comentou, não explicando, no entanto, porque todos esses ingressos estavam à venda, se a estrutura não estava pronta para receber o público extra.

Bom, vamos às bandas. Vou deixar de lado os atrasos, problemas de som, interrupções e falhas no telão para comentar apenas das apresentações.

A primeira banda que vi no SWU foi o Infectious Grooves. Com uma mistura de funk e metal, a banda norte-americana liderada pelo carismático vocalista do Suicidal Tendencies, Mike Muir, simplesmente cumpriu seu dever. Todos os presentes agitaram e formaram a primeira "roda" do festival, para alegria de muitos e horror de alguns que nunca tinham presenciado algo do tipo. Foi divertido. A banda ganhou fãs logo na primeira música "These Freaks Are Here to Party". Além da música "Boom Boom Boom" cantada em coro, outro destaque foi o hino "Therapy" onde Mike (para desespero dos seguranças) convidou algumas pessoas do público para fazer o vocal de Ozzy Osbourne. Fenomenal.

Depois de uma eternidade, finalmente pela primeira vez no Brasil, Rage Against The Machine. Apenas uma palavra resume o show dos caras: Fúria! Após quatro músicas, o vocalista Zack de la Rocha teve que interromper o show depois que fãs da primeira fila da pista Premium forçaram a barricada que separava o público do fosso do palco e tentaram invadir a área e a barricada que dividia a pista comum da premium também já tinha cedido. Depois desse "pequeno" contratempo, novamente um clássico atrás de outro. Sempre com letras politizadas, o guitarrista Tom Morello (que chegou a usar um boné do MST durante "Wake Up"), não conseguia esconder um sorriso de satisfação com o animado público brasileiro.

No dia 11, após minha decepção por não ter conseguido assistir o Crashdïet, o jeito foi esperar pelo Cavalera Conspiracy. Como grande fã do trabalho do Max Cavalera, tanto no Sepultura como no Nailbomb e Soulfly, minha expectativa era enorme! E o show foi além! Foi impressionante como a público cantava todas as faixas do projeto que além dos irmãos Max e Iggor Cavalera conta com Marc Rizzo na guitarra e Johny Chow no baixo. E como não poderia faltar, as músicas “Refuse, Resist”, “Troops Of Doom”, “Attitude” e “Roots Roody Roots” do Sepultura estavam no set list para o delírio dos presentes. Outro fato curioso foi a quantidade de pessoas que eram carregadas desmaiadas ou saiam chorando da multidão. Com certeza elas não sabiam o que esperar do show mais pesado do dia. Espero não precisar esperar mais de 10 anos para ver o Max novamente em seu país.

Próxima parada foi o Avenged Sevenfold às 18h50. Um set curto. Mas decente. Era espantoso a quantidade de camisetas da banda no evento. E o vocalista M. Shadows fez sua parte não parando 1 segundo sequer do palco. Outro destaque foi ver o baterista Mike Portnoy (ex-Dream Theater) na banda. Era a última pessoa que iria esperar para entrar no lugar do The Reverend, que morreu em dezembro de 2009 por "intoxicação aguda por múltiplas drogas". Mas enfim, um ótimo show. Pessoalmente só senti falta da divertida "Bat Country".

Fui conferir o Incubus que iniciou com a famosa "Megalomaniac". Confesso que conheço pouco da banda, mas os fãs presentes saíram bem satisfeitos. Às 20h55 já estava de prontidão aguardando o Queens Of The Stone Age. A banda californiana liderada por Josh Homme fez um show histórico no último dia do evento, com um repertório coeso e de peso após quase 10 anos desde a última visita ao nosso país (eles tocaram no Rock In Rio em 2001). "Eu queria poder conseguir demonstrar como nos sentimos por estar aqui, mas a única coisa que posso dizer é 'obrigado'", falou Homme, arriscando o português no agradecimento logo após um de seus maiores hits “"Feel Good Hit of the Summer”. Após o QOTSA era hora de descansar, então nada melhor do que beber ao som do Pixies até a hora da apresentação do Linkin Park, última banda da noite. Confesso que não escutei o último trabalho da banda (responsável por quase metade do repertório), mas parece que não empolgou o público presente. Hits do álbum “Hybrid Theory”, como a explosiva “One Step Closer” fizeram a galera pular e cantar numa energia que não se via nas músicas mais recentes. Um casal ao meu lado estava falando sobre a brusca mudança no estilo da banda, deixando a pitada “new-metal” de lado, mas ainda assim, fãs fiéis cantaram e pularam, certa hora o vocalista Chester Bennington foi até a grade que separa o fosso da pista premium e deu o microfone para que o público pudesse cantar. Os fãs foram à loucura.

Retirando todos os contratempos, é positivo que o Brasil tenha um festival do porte do SWU, público nós temos, só falta uma organização tão grandiosa quanto à premissa do evento. Todo grande festival tem seus problemas e podemos dar a desculpa que essa foi a primeira edição, mas foram cometidos erros graves comprometendo até mesmo a integridade do público pagante, coisa que não pode ocorrer em hipótese alguma.

Set lists:

Infectious Grooves:
1. These Freaks Are Here to Party
2. Turtle Wax (Funkaholics Anonymous)
3. Punk It Up
4. Boom Boom Boom
5. Rules Go Out the Window
6. Therapy
7. Violent & Funky
8. You Lie, And Yo Breath Stank
9. Pledge Your Aigence

Rage Against The Machine
1. Testify
2. Bombtrack
3. People Of The Sun
4. Know Your Enemy
5. Bulls On Parade
6. Township Rebellion
7. Bullet In The Head
8. Calm Like A Bomb
9. Guerrilla Radio
10. Sleep Now In The Fire
11. Wake Up
12. Freedom
13. Killing In The Name

Crashdiet:
1. Down with the dust
2. Breakin' the Chainz
3. Rebel
4. So Alive
5. Riot in Everyone
6. Generation Wild

Cavalera Conspiracy:
1. Inflikted
2. Sanctuary
3. Terrorize
4. Refuse/Resist
5. The Doom Of All Fires
6. Hex
7. Wasting Away
8. Hearts of Darkness
9. Attitude
10. Ultra-Violent
11. Warlord
12. Troops of Doom
13. Roots Bloody Roots

Avenged Sevenfold:
1. Nightmare
2. Critical Acclaim
3. Welcome to the Family
4. Beast and the Harlot
5. Buried Alive
6. Afterlife
7. God Hates Us
8. Unholy Confessions
9. Almost Easy

Incubus:
1. Megalomaniac
2. Anna Molly
3. Nice To Know You
4. Pardon Me
5. Circles
6. Make Yourself
7. Oil and Water
8. Drive
9. A Crow Left of the Murder
10. Are You In?
11. Look Alive
12. The Warmth
13. Love Hurts
14. Wish You Were Here

Queens Of The Stone Age:
1. Feel Good Hit of the Summer
2. The Lost Art of Keeping a Secret
3. 3's & 7's
4. Sick, Sick, Sick
5. Monsters in the Parasol
6. Burn the Witch
7. Long Slow Goodbye
8. In My Head
9. Little Sister
10. Do It Again
11. I Think I Lost My Headache
12. Go With the Flow
13. No One Knows
14. A Song for the Dead

Linkin Park:
1. The Requiem
2. Wretches and Kings
3. Papercut
4. Given Up
5. New Divide
6. Faint
7. Empty Spaces
8. When They Come for Me
9. No More Sorrow
10. Jornada del Muerto
11. Waiting For The End
12. Wisdom, Justice, and Love
13. Iridescent
14. Numb
15. The Radiance
16. Breaking The Habit
17. Shadow Of The Day
18. Crawling
19. One Step Closer
20. Fallout
21. The Catalyst
22. The Messenger
23. In The End
24. What I've Done
25. Bleed It Out