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25 Ta Life em São Paulo

Publicado em 22/10/2007
25 Ta Life : um comentário.
Por José Marti

Já faz muito tempo que freqüento shows de Hardcore e afins por essa São Paulo devastada - quantas caras, quanta energia, quantas tretas, quantos absurdos. E as escoriações, hematomas, camisetas rasgadas, os pisões, os roles pura roubada. Não sou melhor do que ninguém e não tenho a mínima pretensão de ser melhor em coisa alguma - ou ser o senhor sabichão é só um mero comentário, e nada mais.

Tem alguns shows que você deveria tatuar data e banda, mas tenho consciência se for para colocar na balança, assisti mais shows ruins do que bons, mas o que vale na maioria das vezes é o role - ver a banda, o que os caras vão mandar, já que todo o role é para isso! Não me esqueço quando o Ramones apareceu no palco do Palace, a platéia estava completamente louca, imediatamente me esqueci que para chegar até ali foi complicadíssimo e fui para o agito, ao sair nem me fale a maior pancadaria, só cabeça raspada e tiras prá lá e prá cá.

E o role para o show do Agnostic Front no Black Jack, novamente sair dos confins da zona leste para zona sul não é fácil, mais tem seu lado bom: a banda "a energia.... um universo a conquistar" (ação direta). Até aquele momento era só vhs, ali seria a prova, a hora da verdade, seria o Anthen ceninha? Tinha uns babacas no show mas os caras representaram e mandaram o puro e bom Hardcore Old School de primeira qualidade mas para a alegria geral da nação hardcoreana os caras reapareceriam tempos depois para duas apresentações magistrais no Hangar - fico viajando, imagina se esses caras aparecessem por aqui no final dos oitenta início dos noventa, imagino os cara em pleno Retrô - cara, para quem viu algumas apresentações do Mickey Junkies, Anjos dos Becos, Socic Disruptor, Pinups e Defalla esse último as apresentações era o caos na terra, o público era uma massa só - lotação máxima, energia, loucura, mosh, mosh, mosh.... e ainda tinha o Der Tempel, com apresentações fortíssimas de peso como Killing Chainsaw, Dead Drunk, No Violence, Kangaroos In Tilt, IML, Anarchy Solid Sound, Happy Cow, Safari Hamburgers, Tube Screamers etc. etc. Não poderia deixar de mencionar as apresentações do Ação Direta e do Paura que destruíram tudo antes do Agnostic Front neste dia. Essas bandas, Ação Direta e Paura são símbolos da nossa cultura hardecoreana, e são merecedoras do respeito que alcançaram em todos esses anos de luta em pró do som pesado e independente, esses são dignos de serem bandas pilares da estrutura do Hardcore no Brasil.

E o show do Shelter em 96 no Aeroanta, um público elétrico totalmente contaminado pela energia do vogal Ray Cappo, o show foi tão bom que assisti as duas apresentações com direito a várias especialidades da cozinha krishna, será que foi esse o primeiro Verdurada?

Agora, a história do Festival Hardcore de São Paulo do Verdurada do Liberation Fest e dos shows na casinha se misturam com vida do Jabaquara, esse lugar já possui uma tatuagem no corpo do Hardcore paulistano. Certa vez levei um amigo meu o Marighella um metaleiro fora de atividade desde dos tempos do Circular Paulista, o cara era fã do Scars, thrashmetal total, peguei até piolho naquele lugar, com esse cara assisti as primeiras passagens do The Cult, Sisters Of Mercy, New Model Amry, Napalm Death, D.R.I., Fugazi, Living Colour entre outros - neste dia tocaram o Point Of No Return, Constrito e Confronto malandro, o cara ficou louco com toda aquela energia, teve certas apresentações naquele palco do Jabaquara que marcaram definitivamente a história do Hardcore paulistano, neste dia vi nos olhos do Marighella aquilo que muitos amigos de shows falam "é só estando no confronto, na linha de frente para saber como é que é", tempos depois olhei no meio do agito e lá estava o Marighella compartilhando os microfones com os caras do Nueva Etica do Maroon, isso é a pura e limpa energia dessa coisa que a maioria chama de Hardcore, mas é isso mesmo, só estando dentro para ver. Sin Dios os punks em chamas, corpos voando e uma atmosfera de energia e confiança, uma cerimônia anticapitalista, se os caras do G7 estivessem lá tremeriam na base com certeza, o Anarquismo puro e concentrado em um dos seus maiores expoente. Não sei, sempre tem uns imbecis que acham que o negócio é dar socos e machucar as pessoas, pobre desses seres, nem imaginam que essa energia é para se gastar contra aquilo que não está ali, e jamais estará, porque ali é o lugar dos compas, dos aliados, dos manos, da banda loca, da UNIÃO.

Como descrever o lugar no dia do show do MDC? Tinha neguinho saindo pelo ladrão, faltam palavras novamente, teve apresentações memoráveis naquele lugar, algumas ficarão registradas nas lembranças outras nas retinas, como descrever a pulsação das apresentações do Highscore, Ataque Frontal, Heaven Shall Burn, Questions, Entrefuegos, Terror, Most Precious Blood, Dar a Cada Uno Lo Que es Solo, Colligere etc. etc. Esse lugar já deveria ser tombado pelo patrimônio histórico do Hardcore brasileiro.

Como não citar a primeira apresentação do Madball em São Paulo, novamente o público estava ali para ver uma lenda, e essa lenda precisava de uma resposta do público, e teve - foi um show perfeito, rápido, direto e sem frescura enquanto Mr. Cricien pulava de um lado para o outro levando consigo banda e público, na linha de frente o pau comia, na frente do palco era só voadora na cara dos seguranças fascistas da Broadway e o pau estava quebrando desde a apresentação do Self Conviction que por sinal nos ajudou a aquecer antes da lenda. Nesse dia me lembro de um cara que já fez guitarra no Colligere, ele era arremessado contra os seguranças era o máximo, o lugar parecia que iria desabar.

Biohazard no KVA, o que era aquilo, uma massa, uma coisa coesa que não parou um segundo sequer, tudo bem que sempre tem uns caras que querem ficar no palco ao lado da banda, narcisismo é foda e prejudica muitos shows, fiquem espertos nos próximos shows, não fiquem parados em cima do palco, e aproveito a deixa para um lembrete de última hora (a lenda vem aí, o Madball estará em São Paulo para uma apresentação no próximo mês, aviso ao seguranças e afins do Hangar, não é porque neguinho sobe no palco que é para dar porrada, já tem uns cara de sobre aviso, se segurança ficar no palco dando chute e soco em quem sobe o negócio vai azedar, só para lembrar, já que isso aconteceu no show do Brujeria e nas últimas apresentações do Terror e do próprio Madball, nesta casa).

Se o Rick disse que já faz mais de quinze anos que ele queria tocar no Brasil imagina os fã de 25 Ta Life e Comin Corret, há quanto tempo não esperavam por esse momento. Citar nomes é foda, já que tanto para o bem como para o mal você sempre acaba esquecendo de mencionar alguém, caras como o Marcos Lib, Ailton 255, Franco Monteiro, Jeferson Red, Gepeto entre outros são os grandes responsáveis por São Paulo fazer parte da Tour Mundial do Hardcore, esses caras juntos já devem ter organizado mais de mil apresentações de bandas de todos os lugares do Brasil e do Mundo, só gostaria de aqui expressar meu grande apreço a esses caras e reivindicar mais respeito e procedimento para com eles, não os conheço pessoalmente e nenhum deles me deu procuração para defende-los mas é foda não reconhecer o valor desses caras. A idéia básica é a união para construir uma cena mais forte, mais coesa e unida.

Ao chegar no Jabaquara neste Domingo eu tinha uma certeza, o 25 Ta Life não decepcionaria e o Confronto novamente arrasaria. Dito e feito, os caras são como vinho a cada dia melhor, não esqueçam do primeiro parágrafo, mas é a melhor banda do Brasil, não tem para ninguém, os caras já deixaram o palco piquinininho para o Napalm Death, e para abri um show do 25 Ta Life nada melhor, e para deixar os saudosistas inquietos na execução da música Insurreição tivemos o prazer de ver o Sr. Marcelo vocal de um dos terremotos hardcoreanos de São Paulo o Constrito fazer sua parte, agora só falta o Constrito fazer a sua, voltar, já que o espaço ainda está aberto. Essa foi a segunda surpresa no quesito participação, já que eu particularmente nem imaginava que os empolgantes Alto Teor de Revolta chamariam o Rick para uma canja de Comin Corret sensacional. Depois de tudo isso o show: o cara é a simpatia pura, na minha visão o próprio Rick se confunde com o Hardcore o cara é Hardcore - uma apresentação digna e marcante, você via na cara do público a vibração que o cara passa, uma coisa positiva algo inexplicável só de corpo presente para saber, a cada som você tira energia sei lá de onde para ficar pulando, agitando dando mosh atrás de mosh, e como sempre tem os cara que gostam de ficar se esmurrando, o Hardcore não é isso!!! Chehuan chamou, Rick também o Hardcore é lá em cima do palco, como o próprio Rick disse "Venham o palco e o microfone são de vocês estamos aqui para festejar a união", até disse que se sentia brasileiro, não sei até onde isso é efeito dos energéticos - o cara a cada momento agradece, felicita o público algo fantástico que impressiona até quem acha que já viu de tudo nessa cena, o cara fechava os olhos ele estava totalmente compenetrado naquilo, algo louco.

Neste Domingo a única coisa que faltou foi os "caras", hoje em dia parece que se uns trazem alguma banda os "outros" não prestigiam, fiquei decepcionado com o público ali presente, o 25 Ta Life uma lenda para os apreciadores do bom e velho Hardcore mereceria mais atenção, já que foram quinze anos de espera, e um feriado ou outra coisa qualquer não seriam suficientes para não lotar o galpão, já que estive por lá em pleno Carnaval lotado. Nisso fica a minha crítica sobre o show, nada em absoluto contra as pessoas que organizaram, esses merecem até mais que o próprio Rick. Tinha mais caras da velharia do Hardcore paulistano no show do New Model Army do que no Domingo isso é um tremendo contra senso. Sou um cara que vivo intensamente o Hardcore, e fico sempre decepcionado quando vou em um show e o público não está ali para prestigiar, e fico mais puto quando existe algum tipo de inveja ou sei lá o que.

Aos organizadores deste evento um forte abraço e um eterno agradecimento, pois não adianta só ficar reclamando das coisas.