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Mark Farner em São Paulo no Via Marquês

Publicado em 11/03/2012


MARK FARNER
Via Marquês - São Paulo/SP
10 de março de 2012

Por Ernesto Gennari Neto


Depois de um dia com um pouco de chuva durante a tarde, o clima escaldante deste verão ficou ameno e agradável para a maioria da população e do público mais velha que foi ao Via Marquês para prestigiar uma lenda viva do rock, Mark Farner, guitarrista, vocalista e principal compositor do Grand Funk Railroad, clássica banda que sacudiu o rock nos anos 60 e 70, vendeu mais de 50 milhões de discos, esgotou os ingressos do Shea Stadium mais rápido que os Beatles e colocou medo no empresário do Led Zeppelin (para quem a banda abria shows), Peter Grant, ao ponto de desligar o som desta no meio do show deles no Atlanta Pop Festival, antes do Led, pois o público estava em êxtase, coisa que se repetiu em shows subsequentes e a banda foi chutada da turnê.

O show só começaria, pontualmente, as 22:00, mas entrei no local com uma hora e meia de antecedência e já fiquei surpreso pelo espaço e organização desta casa. Ótimo local, bem espaçoso, som alto e com qualidade (não fica embolado no meio, nem na frente e nem no fundo) rolando antes do show, clássicos do blues e do rock: Rory Gallagher, Edgar Winter, Allman Brothers Band, etc. E a casa estava vazia ainda, mas foi se enchendo ao longo desse pequeno tempo, e era possível ver que a variação de idade do público era bem grande, muitos senhores e senhoras, sozinhos e acompanhados; pais e filhos; garotada e adultos. Muito interessante e legal de se ver!
A casa se encheu bastante, embora não deva ter lotado.
"Dez em ponto" e o manager pergunta se "estávamos prontos", ovações do público e entra Mark Farner e banda com a primeira música do debut de do Grand Funk Railroad (On Time), "Are you ready", e o povo mostrou estar mais do que pronto. Pude ver ao meu lado uns senhores literalmente chorando por estarem presenciando o começo de uma noite única, onde todas as músicas - sim TODAS - eram cantadas e recebidas com calor pela platéia. Mark Farner e sua banda, Lawrence Buckner (baixo e vocais), Hubert Crawford (bateria) e Karl Propst (teclado e vocais), mostraram entrosamento, funk (suingue) e peso, MUITO PESO, característica que fazem as músicas do Grand Funk Railroad serem clássicos únicos. A banda esbanja energia e se diverte em cima do palco, ainda mais com uma resposta tão positiva do público. Na segunda a galera grita com todos os pulmões "Rock & Roll Soul" (do injustiçado álbum "Phoenix", que tem uma belíssima capa), a partir daí Mark Farner mostra que tem energia de sobra e pula anda de um lado para outro e diverte a todos no recinto. Logo a seguir vem "Footstompin' Music" do clássico "E Pluribus Funk" (o famoso disco da capa da "moedinha"), com Mark subindo para tocar teclado e mandando um solo cheio de funk, para todos literalmente baterem o pé no chão. A partir daí pude ver um fato interessante recorrente ao longo do show, várias pessoas levantavam as capas dos discos de vinil correspondente às músicas tocadas; era incrível ver raridades como a "moedinha", "Shinin' On", "We're An American Band" e outros em punho pelos donos orgulhosos de discos maravilhosos como estes. Por falar em "We're An American Band", a própria, icônica, veio a seguir, com o tecladista Karl Propst cantando as linhas vocais de Don Brewer (baterista do Grand Funk), repetindo o feito ao longo do show.

Agora chega a parte que vemos os mais velhos irem à loucura, quem esteve lá via pessoas vestindo camisetas vermelhas com a capa do disco "Grand Funk" de 1969, segundo álbum da banda (se não conhece, vá conhecer já!) pulando com "Mr. Limousine Driver" e "Paranoid" (que o Black Sabbath não conseguiu fazer melhor), mas para acalmar os ânimos e dar um descanso, depois da porrada veio a balada, "Mean Mistreater" (de "Closer To Home"), que Mark Farner inicia sozinho no teclado e a banda começa a acompanhar depois, mas a platéia canta junto desde o começo, tornando a experiência única e no fim ganhando elogio do próprio Farner. Acaba o descanso e começa "Shinin' On", do disco homônimo, e Karl Propst canta e faz todos cantarem o refrão, sem dó. E aí vem um clássico do hard rock pesado, reconhecível só pela introdução, muitos já gritaram e se prepararam para um riff antológico, "Sin's a Good Man's Brother" (também de "Closer To Home"), onde a melodia era cantada e o povo realmente agitava. Essa música fecha a parte realmente pesada do show, aliás, bote peso na cozinha, pois a bateria e o baixo estavam em todo lugar, principalmente nesta música. Então vem a trinca de sucessos radio-fônicos, com "Bad Time" (do "All The Girls In The World Beware!!!"), seguida de "The Loco-Motion" (cover de Little Eva que está no "Shinin' On") e "Some Kind Of Wonderful" (do mesmo disco da primeira da trinca). As três músicas fizeram a galera dançar, sozinhos ou acompanhados. Muito alto astral! Então veio a magnífica balada do debut, "Heartbreaker", longa, pesada, triste e clássica no mais completo sentido da palavra. Muitos pediram pela música ao longo do show e ficaram bem satisfeitos. Quando esta acabou, Mark Farner agradeceu o apoio de vários fãs que levantaram mensagens de apoio ao seu filho Jesse Farner, que sofreu um acidente e está paralizado. gesto bonito de todas as partes, tanto de Farner pela emoção ao agradecer e do público em dar essa atenção.

A banda sai e depois de um curto intervalo vem o solo de bateria, que começa básico, então o resto da banda vai se juntando em outros instrumentos de percussão e vão criando um ritmo para aquecer e então mandam mais um clássico do "disco vermelho", "Inside Looking Out" (cover de The Animals) com solo de gaita e muito peso e, claro, suingue!

Mas chega a reta final, e para despedida Mark escolhe tocar a música que ele considera sua melhor composição, "I'm Your Captain (Closer To Home)" (nem precisa citar o nome do álbum), onde todos se divertem com uma banda afiadíssima e solta. Quando chega na segunda parte da canção, tudo que se ouvia era um coro gigante cantando "I'm getting closer to my home", todos sabem que é o final, mas a felicidade é grande estampada por todos na casa. A banda elogia o coro e continua até encerrar o show, com agradecimentos e sorrisos de satisfação por ver tanta gente que se divertiu a noite toda.

A saída foi tranquila, imagino que muitos ficaram pelo local por bastante tempo, pois ninguém aparentava ter intenção de sair cedo de lá, muitos foram para fila do bar, outros plantaram-se num canto para tentar pegar autógrafos, outros ficaram conversando no meio da pista e o som continuava a rolar com clássicos do rock e blues. Quando eu saí ainda rolava Led Zeppelin, mas eu preferi ficar cantando "Sin's a Good Man's Brother", da banda que meteu medo em Jimmy Page e cia.

Valeu Capitão Farner, pelo show inesquecível!!!