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Focus em São Paulo no Carioca Club

Publicado em 19/03/2012

FOCUS
Carioca Club - São Paulo/SP
17 de março de 2012

Por Ernesto Gennari Neto



Quando vi o anúncio do show do Focus, fiquei meio sem entender o "horário 19:00". Show neste horário, num sábado? Fui pesquisar melhor e pude constatar como funciona o Carioca Club. O show do Focus seria mais cedo e estava com o término já programado para as 21:00, pois a casa deveria ser arrumada para o show dos grupos Introdução, Façanha e Rafael Barreto. Nada que interesse ao público do rock. Pois é, o Carioca Club é uma casa que tem acomodado bem os shows do nosso estilo musical preferido, então nem vou criticar o lugar por mera rivalidade infantil e muito menos pela qualidade do som, que desta vez estava perfeita, todos os instrumentos audíveis e em um volume decente, sem agressões. A casa foi organizada para um público realmente afim de apreciar o rock progressivo, tinha mesas e cadeiras espalhadas pelo recinto, organizadas num padrão onde era possível andar sem tropeçar e fazer lambança, ou seja mais um ponto positivo. Só vi UM ponto negativo, APENAS UM, que veio por parte do público. Meu amigo, se você quer se socializar, nada contra, mas não faça isso num show, vá ao bar, ao shopping, etc. Tem pessoas ao seu lado que querem apreciar a música e não a sua voz falando sobre "sei-lá-o-quê". É extremamente irritante no meio de uma música calma e bonita ouvir muitas pessoas conversando ao ponto de muitas outras terem que fazer o famoso "SSSSHHHHHHHHHHH", para ver se o povo se toca de que está atrapalhando a apreciação de um concerto. Quer filmar? Ok, mas não atrapalhe a visão de outra pessoa. Quer tirar fotos, não tem problema, mas não precisa fazer isso o show inteiro; que tal guardar a câmera e assistir o que realmente está acontecendo em cima do palco? Precisamos de uma mudança de postura urgente, não só em shows, mas em cinemas, teatros, etc...

O show realmente começou no horário programado (produção e banda, parabéns, sério mesmo, muito legal isso!), a banda já subindo ao palco e começando com duas patadas do primeiro disco, sem dó, "Focus I" e "Anonymous". Thijs van Leer (orgão, flauta transversal, vocais e copinho de água) está parecendo um velho bonachão, para não dizer o Chacrinha, mas continua surpreendendo (tocar teclas numa mão e flauta transversal na outra, ao mesmo tempo, não é para qualquer um), é muito criativo e comunicativo em cima do palco (brincou e enalteceu seus companheiros várias vezes), também é o responsável pelos momentos cômicos da banda. Quando todo mundo parecia estar contente por um ótimo começo, vem "House of the King" (primeiro single da banda, também registrado nos dois primeiros álbuns em prensagens diferentes), e é provado que brasileiro gosta de cantar melodia, muitos acompanhavam a flauta da música estilo renascentista que o Focus popularizou no rock. Em seguida vieram duas músicas do álbum mais recente, "Focus 9 / New Skin", de 2006. Primeiro "Aya-Yuppie-Hippie-Yee", onde finalmente vimos que Pierre van der Linden (bateria) detonar em músicas rápidas e frenéticas. Segunda, "Focus VII", mais lenta e explorando mais do baixo de Bobby Jacobs (enteado de Thijs van Leer).

Essa turnê foi anunciada como comemorativa do álbum "Moving Waves" e desse álbum veio "Eruption", longa (mais de 20 minutos) e intrincada, com destaque para Menno Gootjes, que fez sua guitarra soar tão emocionante e caótica quanto Jan Akkerman fez na gravação original. Aliás, Menno foi o grande destaque da noite, pois passeou em cima de clássicos com maestria, como fez na clássica "Sylvia", que veio à seguir, com sua introdução suingada e sua famosa melodia que fica na cabeça de qualquer ouvinte. "Focus II" veio com diversos solos de guitarra em meio ao problema que Thijs teve com o orgão. Ao término da música, o líder anuncia um intervalo de 15 minutos, tempo para tomar um drink, enquanto os técnicos resolvem o problema do orgão Hammond B3.

Terminado o intervalo, começa "Answers? Questions! Questions? Answers!" (do clássico "Focus 3"), intrincada e puxada por Bobby Jacobs. Vale citar que a cozinha estava bem entrosada, é muito bom ver baixo e bateria correndo soltos por um show inteiro. Então vem a bela "La Cathedrale de Strasbourg" (do álbum "Hamburger Concerto"), que foi executada perfeitamente pela banda, com os vocais belíssimos e comoventes e, a parte mais inusitada, o assobio original não foi executado, mas toda a sua parte foi feita por Thijs usando um copinho de água de plástico como instrumento de sopro, à lá Hermeto Pascoal. Nesta música vimos um problema, o público que não cala a boca e atrapalha as outras pessoas que querem ver o show. Mas a banda não se deixou abater e falou de uma música spbre os perigos do álcool, do mesmo disco da anterior veio a rápida e pesada "Harem Scarem", com performance teatral de Thijs. "Hocus Pocus" (do álbum comemorado pela turnê), que foi estendida e muito cantada pela casa. A banda agradeceu e disse que não trouxe cds ou dvds (mas passou o site - http://www.focustheband.com/ - e informações onde conseguí-los e falou sobre o novo álbum "X", o décimo do Focus, financiado pela própria banda, para ter controle criativo completo - terá também arte de Roger Dean e sua pré-venda está no seguinte site: http://www.focus10.net/), mas tinha camisetas e posters para vender como merchan e disse que atenderia a todos após o show, para autografar itens e tirar fotos. Parecia final, mas o público se fez ouvir, e a banda subiu ao palco novamente, agradecendo muito o carinho e dizendo que especialmente para nós iria executar "Focus 3", que veio para fechar o show de forma fantástica.

Encerrou-se o show, a casa permitiu formarmos uma fila (BEM GRANDE, poucos saíram de lá sem autógrafo ou foto) na parede lateral direita e esperamos cerca de 15 minutos até a banda se arrumar e começar a fazer uma seção de autógrafos. Todos os quatro integrantes foram simpáticos e divertidos, quando chegou minha vez, elogiei a apresentação e eles agradeceram pela presença e me disseram que gostaram muito desta turnê pelo Brasil.
Para encerrar, ao meu lado uma menina, nova chegou com uma flauta doce para Thijs autografar, ele olhou para ela com uma cara feliz e brincou de repente, executando na flauta doce, por alguns segundos, "Layla", do Derek And The Dominos (Eric Clapton), e todos na sala param para ver o bonachão e a banda sorrindo com uma brincadeira dessas. Coisas que só quem respira música pode fazer por você, mesmo depois de um show de duas horas.

Set list:

1- Focus I / Anonymous
2- House Of The King
3- Aya-Yuppie-Hippie-Yee
4- Focus VII
5- Eruption
6- Sylvia
7- Focus II
8- Answers? Questions! Questions? Answers!
9- La Cathedrale de Strasbourg
10- Harem Scarem
11- Hocus Pocus

12- Focus III