data-ad-client="ca-pub-9371512119858190" data-ad-slot="5580438127" data-ad-format="link" data-full-width-responsive="true">

The Rezillos em São Paulo

Publicado em 17/03/2008
The Rezillos
14/03/2008 - CB Bar - São Paulo/SP




Noite de rever um clássico do punk!
De volta para mais dois shows em SP, os The Rezillos, que passaram pela primeira vez em 2006, gostaram tanto da experiência que voltaram rapidinho pra repetir a dose. Não era a euforia de uma estréia, mas a expectativa era grande, principalmente pra quem ainda não teve oportunidade de vê-los ao vivo.
O palco da festa dessa vez foi o CB Bar, que está comemorando dois anos (e já com um currículo de shows e eventos invejável, diga-se de passagem); decoração anos 50, com jukebox e sofázinhos vermelhos, deixa o clima mais aconchegante para uma experiência para poucos. Comemoravasse também antecipadamente o dia St Patrick´s Day ou São Patrício, o santo padroeiro da Irlanda, que na verdade é comemorado no dia 17/03/08. Para resumir essa história bem interessante: essa data é comemorada oficial e não-oficialmente em vários países - fora da Irlanda, o maior evento acontece em Nova York. São Patrício, nasceu por volta de 365 a.C no País de Gales. Aos 16 anos foi capturado, preso e vendido como escravo na Irlanda. Trabalhou com pastor e ficou conhecido por expulsar as cobras, símbolos do paganismo, da Irlanda. Usava um trevo de três folhas para simbolizar a Santíssima Trindade e difundir a fé cristã. Geração após geração, seguidores trazem a tona seu lado irlândes, indo a um pub vestindo alguma peça de roupa verde e com muita disposição para beber cerveja. Nesse dia, every one is Irish. É...Zona Punk também é cultura! Útil ou inúltil.
Voltando ao que interessa...
O show estava marcado para as 22hs e enquanto a casa ia enchendo aos poucos, a DJ residente style Lu riot agitava as pick-ups com um set recheado de bandas com mulheres no vocal: Runaways, The Donnas, Suzie Quatro e por aí vai. Muita espera, expectativa aumentando e como não teve nenhuma banda de abertura, era direto pro prato principal.
Para anunciar a banda, entrou um maluco vestido com o traje tradicional escocês, o kilt, tocando aquela flauta também tipicamente escocesa e tocou uns minutos antes da banda subir. Malucão ainda tocando quando Jo Callis (o bem humorado guitarrista) chega pra tomar seu posto e levanta a saia do cara e mostra que ele tá sem nada por baixo. A banda no palco e a vocal Fay Fife chega logo em seguida com mais um indefectível vestidinho, para alegria dos público predominantemente masculino, quando os primeiros acordes de "Destination Venus" começam. Não poderia começar melhor.
O set foi basicamente baseado no "Can´t stand the Rezillos" de 1978. A banda não lança algo novo há tempos. Na verdade, o primeiro lançamento do século 21 (como a banda diz), foi no início de dezembro do ano passado, o "Rezillos Radio Times" com sessões gravadas na BBC. Mas gravação ou lançamento de material novo não há mesmo nenhuma previsão.
"Flying saucer attack" e "Getting me down" foram as próximas. Antes do clássico máximo "Top of the pops", Eugene Reynolds, o fantástico vocalista e guitarrista, que estava no seu traje de sempre (camisa preta e óculos escuros) pegou sua guitarra pra tocar na próxima. O seu estilo como disseram alguns na platéia está à la Bruno da dupla Bruno e Marrone e alguns caras da turma do gargarejo começaram a chamar o cara de Bruno e cantar "Dormi na praça". Óbvio que ele não entendeu a piada. O importante é que a banda e principalmente Sheila Hynde. Opa, quem??? Sheyla Hynde, o nome de batismo da popularmente conhecida Fay Fife, estão longe de ser velhinhos oportunistas se reunindo em troca de algum a mais na conta bancária. A performance é impecável, cheia de energia. Ela dança, se joga no chão, anda o palco todo e mal pára pra beber água. Os mais contidos são Angel Paterson (baterista) e o baixista Johnny Terminator Brady que ficou mais no cantinhdo escuro do palco, tocando na dele, enquanto os três na frente se acabavam nas performances. Show pra pular, cantar, dançar e curtir muito. A banda estava bem a vontade, tocando com vontade até por já saber como é o público brasileiro é: que agita muito e conhece os sons.
E o show seguiu com "Rosalyn", "Out of this world" e "No 1 boy" que Jo Callis dedicou a um amigo brasileiro que está com a mulher esperando filho mas ainda não sabe o sexo da criança. "2000 A.d" foi a primeira em que rolou uma roda de leve e garantiu um pouco mais de agito. O público tava bem tranquilo e muito mais interessado em apreciar do que pular e moshar feito loucos.
"Mistery action" e "It gets me" vieram antes da maravilhosa "Yesterdays tormento", seguidas de "My baby does good sculptures" e "Runner deep". Uma paradinha antes do bis.
Jo Callis foi sem dúvida o destaque da noite. Quando voltou pro palco no bis, estava com um puta pedaço de papel higiênico pendurado na sainha. Fay com cara de indignada enojada tirou o papel e cantou um pouco com o lance na mão antes de atirar longe a nojentice. Ele riu de tudo sem o menor constrangimento. Sensacional.
O melhor ficou pro final, claro. "Somebody´s gonna get their kicked in tonight" foi fantástica. Essa sim pôs todo mundo pra agitar. Muita foto sai tremida essa hora, garanto! Antes da última ele de novo, Jo Callis vai tocar sua guitarra com o pé em cima do retorno e estrategicamente sobe a tal sainha e.. também sem nada por baixo! Deixando o lance balaçando ao som do punk rock numa boa. Galera da frente que se ligou na rapidez do lance, se esbaldou. A homarada que esperava algo mais de Fay teve que se contentar.
O show terminou com "I can´t stand my baby. Banda sai do palco feliz e agradecida. E todos nós, testemunhas do crime, com mais uma história no currículo pra contar. A banda vive dos clássicos mas nem por isso deixa de estar antenada com a tecnologia que move o mundo da música atual.
O site oficial esta sempre atualizado assim como o myspace. E a banda avisa para aqueles que adicionam o seu perfil: "se você for postar no nosso site.... POR FAVOR não diga "Obrigada por add". Sejam mais criativos gente! The Rezillos agradece!
Não poderia encerrar essa resenha sem agradecer ao Clóvis Mendes que loucamente me emprestou sua câmera profissa para eu fazer as fotos do show enquanto ele filmava. Valeu a confiança!

Foto e Texto por Andréa Ariani