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Avenged Sevenfold em São Paulo

Publicado em 03/06/2008
Avenged Sevenfold
29/05/2008 - Citibank Hall - São Paulo/SP

Que a expectativa de ver uma banda pela primeira vez no Brasil é algo que cria uma grande euforia, que geralmente os gringos vêm e provam caipirinha, veêm as belezas naturais, as mulheres, a hospitalidade do povo e tudo de bom da futebol land e volta pra casa dizendo que a ama o Brasil... tudo isso a gente já sabe.
Multiplique isso por 1000 e vai ter uma idéia do que foi essa única passagem dos norte-americanos do Avenged Sevenfold por São Paulo.
Os caras têm uma legião de fãs por todo o Brasil e mesmo em plena quinta-feira, numa noite típica paulistana de frio e garoa fina, boa parte desses fãs lotou o Citibank Hall para vê-los.
Ver de perto o estilo tanto de tocar o tradicional metal de uma forma mais jovem e descontraída (mas não menos poderosa) e todo o estilo dos caras (roupas, óculos, jacos, calças rasgadas e muitas, muitas tatoos) era algo que há pelo anos uns 5 anos a galera que curte a banda esperou para ter essa oportunidade rara.
A casa abriu por volta das 20hs e toda a fila enorme já estava formada foi adentrando ao recinto sem maiores tumultos. Lá dentro, a pista já tomada, quase sem nenhum espaço pra circular, e muita gente também nos camarotes. No palco, um pano de fundo branco gigante, só com o logo da banda (a famosa cabeça de caveira alada).
Poucos ajustes aconteciam nas luzes, nos instrumentos, últimas checagens de som e qualquer movimentação no palco causava gritaria. Quase horário do show e enquanto a galera gritava "Sevenfold!!, Sevenfold!!" e aguardava a tão esperada entrada da banda. A presença do Rafinha, o ex-BBB milionário e alguns integrantes do NX Zero chamou a atenção da galera que trocou os gritos para "Emo, viado!". Desnecessário, mas...
Sem banda de abertura, às 21:33hs em ponto, o palco se apaga, a vinheta começa a rolar e um a um os integrantes do Avenged iam entrando no palco. Gritaria geral. Nos primeiros acordes de "Critical Acclaim", o vocal M. Shadows entra cantando e causando mais gritaria. O som começou meio embolado mas logo ficou tinindo junto com uma iluminação linda, mesclando na maior parte do tempo luzes vermelhas e azuis, o que fez a banda ficar muito mais estilosa no palco.
De óculos escuros, jaqueta, Um cabelo super curto e extremamente animado, falando o tempo todo com a galera, M Shadows disse que ele a banda estavam muito felizes de estar no Brasil tocando e bebendo cerveja. O guitarrista Zacky Vengeance, o criador do famoso termo A7X, também começou o show de óculos escuros e o baixista Johnny Christ ficou todo o show de óculos, jaco e touca!O super simpático guitarrista Synyster Gates também conversou o tempo todo com o público entre um gole e outro.
Cerveja e cigarros também faziam parte do espetáculo e quem estava lá na frente, mais próximo do palco sacou que o nível de álcool já estava alto. Normal para eles que geralmente costumam tocar calibrados. O baixista Johnny inclusive passou uma parte do show sentado em frente a batera, tocando de boa, sentadão.
O set list priorizou mais os sons do último álbum que saiu no final de 2007, o auto-intitulado disco (e também auto-produzido) lançado pela Warner. Esse disco que vendeu 94.000 cópias na semana de seu lançamento, é o mais diferente por mesclar as influências da banda (que vão desde Metallica, Pantera, Bad Religion e AFI) com instrumentos pouco comuns no rock como violinos e violoncelos. Para quem tinha dúvidas de que M Shadows ia se poupar nos vocais e não gritar, gritou sim e cantou lindamente do início ao fim do show. Afastando definitivamente, pelo menos da mente dos brasileiros, que eles estariam mudando a sonoridade para que ele gritasse menos.
O set contou com ainda com "Second Hearbeat", "Beast and the Harlot" , as novas "Afterlife" e "Scream" dedicada às mulheres presentes. Na linda balada "Seize the day" os inúmeros celulares piscando faziam as vezes dos isqueiros e pipocavam flashs, registrando tudo. M. Shadows, já sem óculos, terminada a balada, vê e mostra pra galera que várias camisetas estavam sendo atiradas no palco e disse: "Várias camisetas no palco. Tirem as camisetas, vamos ficar pelados". E acaba tirando a sua, para delírio das meninas.
As influências não foram esquecidas e as já comuns covers de Pantera ("Walk") e NOFX ("Linoleum"), fizeram a galera cantar, pular e pôr a casa a baixo.
"Almost easy", também uma das músicas do último disco e, por curiosidade, a únicas que todos os componentes cantam juntos o refrão, foi a próxima. Seguida de "Bat country". Sim! Aquela mesma que é dedicada ao mestre que amamos, o criador do jornalismo gonzo Hunter Thompson (para quem não sabe, o nome da música vem da página 18 do terceiro capítulo do famoso livro que também virou filme com Johnny Deep no papel principal "Medo e delírio em Las Vegas").
O público também deu seu show cantando todos os sons. O batera The Reverend (ou The Rev) tocou muito também dando outro show a parte munido de suas baquetas e sua poderosa camiseta dos Misfits.
As últimas foram "Gunslinger" e "Unholy Confessions". A banda agradece, sai do palco, luzes apagadas. Público pedindo o retorno da banda que logo reaparece para o bis com "A Little Piece of Heaven". M Shadows canta essa enrolado na bandeira do Brasil.
Não há como negar, foi tudo perfeito. Se alguém discorda, a banda informa que nem se importa porque quanto mais falam mal, mais pessoas se interessam em ouvir. Mas acredito que tenha sido 100% satisfação de quem pode estar e 100% frustração para quem perdeu essa. O épico, o peso do metal, as letras com influências religiosas e literatura antiga estavam lá, fazendo parte dessa celebração insana.
Como todo gringo, M. Shadow disse que não veêm a hora de voltar a tocar aqui.
Depois daqui, a tour continua e segue Europa adentro. A banda deixa o palco debaixo de gritos e aplausos.
Felizes e bêbados.

Por Andrea Ariani



Foto por Rafael Melo