O último dia do Setembro Negro 2025 começou cedo, mas a casa já estava cheia logo na abertura das portas. O público parecia determinado a aproveitar cada minuto do encerramento dessa edição, e o clima de expectativa se manteve até o final da noite.
Quem iniciou o massacre sonoro foi o Morkalv no palco Infernal, trazendo seu Death/Black Metal de temática nórdica direto de Campo Grande/MS. A apresentação foi curta, mas cheia de energia, com “Jormungandr” preparando o público para o que viria a seguir. Pouco depois, o Escafism subiu ao palco e transformou o ambiente em um ataque de Brutal Death Metal com blast beats incessantes e vocais cavernosos. Faixas do álbum Spreading the Pain deixaram o público sem fôlego, e “Purulent Secretion” foi um dos pontos altos do show.
Ainda no palco Infernal, a maratona continuou com o Orthostat, que trouxe seu Death Metal carregado de uma atmosfera densa. O som soturno e poderoso manteve o clima sombrio da tarde. Na sequência, o Thrash Old School do Tyranex incendiou o público: a vocalista Linnea Landstedt liderou um show carismático e enérgico, com “Megalomania” e “Rise from the Dead” arrancando mosh pits espontâneos. Representando o underground nacional, o Nervochaos fez um show especial, marcando sua primeira participação no festival e executando hinos como “Pazuzu is Here” e “For Passion Not Fashion”.
Já em clima ritualístico, o Varathron assumiu o palco e transformou o espaço em uma verdadeira celebração do Black Metal helênico. “Unholy Funeral”, “Sacturnian Sect” e “Son of the Moon” foram momentos de pura catarse, com o público absorvendo cada detalhe do espetáculo.
Já no palco Maioral, o The Mist marcou seu retorno a São Paulo revisitando clássicos, com Vladimir Korg esbanjando energia e interação com os fãs. A surpresa veio com o Ash Nazg Búrz, que trouxe seu Black Metal inspirado no universo de Tolkien, criando uma atmosfera quase cinematográfica. O vocalista, caracterizado como um Nazgûl, impressionou com performance teatral e vocalizações espectrais.
Um dos momentos mais aguardados da noite foi a estreia do Darkened Nocturn Slaughtercult no Brasil. Onielar entregou uma performance intensa, jorrando sangue no palco e elevando a experiência ao nível do ritual. Com 40 minutos de set, a banda deixou claro por que é um dos nomes mais respeitados do Black Metal europeu.
O Power Trip foi um verdadeiro estouro de energia. Seth Gilmore manteve vivo o legado de Riley Gale, conduzindo circle pits gigantes durante “Firing Squad”, “Hornet’s Nest” e a emocionante “Drown”, dedicada ao vocalista falecido.
Chegando na reta final, o Candlemass trouxe a atmosfera única do Doom Metal. Com a formação clássica de Nightfall, o quinteto transformou o Vip Station em um templo do gênero, levando o público a cantar junto em “Bewitched”, “Mirror Mirror”, “Under the Oak” e no bis com “Solitude”.
O encerramento ficou nas mãos do Triptykon, projeto de Tom G. Warrior, que entregou um verdadeiro tributo ao Celtic Frost. “Circle of the Tyrants”, “Dethroned Emperor” e “Procreation (of the Wicked)” fizeram a casa tremer. O final veio com a monumental “Synagoga Satanae”, encerrando o festival de maneira hipnótica e intensa.
Depois de três dias de pura música extrema, ficou a sensação de que esta edição do Setembro Negro será lembrada por muito tempo. Foram shows que reforçaram a importância do festival para a cena, reunindo nomes lendários e novos talentos em uma celebração intensa do metal extremo. Uma edição histórica, que reafirma o evento como o maior encontro do gênero no Brasil e uma verdadeira peregrinação anual para fãs de todas as partes do país.
Confira algumas fotos:
Orthostat
Tyranex
Nervochaos
Ash Nazg Búrz
Darkened Nocturn Slaughtercult
Power Trip
Candlemass
Tryptykon plays Celtic Frost
Por: Allan Preisler e Priscila Ramos
AGENDA DE SHOWS










































































































































