{"id":3648,"date":"2014-08-04T05:55:08","date_gmt":"2014-08-04T08:55:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agendametal.com.br\/?p=3648"},"modified":"2014-08-04T05:55:08","modified_gmt":"2014-08-04T08:55:08","slug":"cavalera-conspiracy-confira-entrevista-com-iggor-cavalera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agendametal.com.br\/novo\/cavalera-conspiracy-confira-entrevista-com-iggor-cavalera\/","title":{"rendered":"Cavalera Conspiracy: confira entrevista com Iggor Cavalera"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-md-12\">\n<p><strong>Iggor Cavalera<\/strong> provocou estranheza quando, ao sair do <strong>Sepultura<\/strong>, em 2006, resolveu investir na m\u00fasica eletr\u00f4nica com o <strong>Mixhell<\/strong> \u2013 projeto que divide com a mulher, Laima Leyton. O baterista deu de ombros aos xiitas. Afinal, a iniciativa era s\u00f3 a materializa\u00e7\u00e3o dos anseios art\u00edsticos e do gosto ecl\u00e9tico respons\u00e1vel por moldar o estilo pr\u00f3prio de tocar que desenvolveu ao longo da carreira. Mas, o regozijo de seus detratores durou pouco. No mesmo ano em que deixou o grupo de metal brasileiro mais famoso do mundo, o mineiro, hoje com 43 anos, retomou os la\u00e7os com o irm\u00e3o, com quem n\u00e3o mantinha contato direto havia uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>O reencontro de Iggor &amp; Max Cavalera \u2013 n\u00facleo criador do <strong>Sepultura<\/strong> \u2013 foi carregado de emo\u00e7\u00f5es. E de m\u00fasica, claro. A partir dali, o peso do clima que se abatia sobre a dupla migrou para a nova empreitada musical criada por eles: o <strong>Cavalera Conspiracy<\/strong>. Resgatando as influ\u00eancias mais pesadas do antigo conjunto, o CC mostrou que a qu\u00edmica entre os dois continuava explosiva. Foi a oportunidade perfeita para o baterista fazer quem o acusava de n\u00e3o ser \u2018trOO\u2019 o suficiente morder a l\u00edngua.<\/p>\n<p>Prestes a lan\u00e7ar o terceiro disco, batizado de Pandemoniun, o <strong>Cavalera Conspiracy<\/strong> est\u00e1 com nova turn\u00ea marcada pelo Brasil, para setembro. Em Porto Alegre, a apresenta\u00e7\u00e3o rolar\u00e1 dia 14, no Opini\u00e3o (Rua Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, 834). Aproveitamos o ensejo para bater um papo com Iggor, por telefone, direto de Londres. Na conversa, ele fala sobre a turn\u00ea vindoura, o trampo in\u00e9dito do CC, futebol e outros assuntos.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jJqRizIzpVg\" width=\"425\" height=\"344\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><em>Por Homero Pivotto Jr. \u2013 Abstratti Produtora<\/em><\/p>\n<p><strong>O show com o Cavalera Conspiracy marca a volta da dupla Iggor &amp; Max ao Rio Grande do Sul ap\u00f3s 20 anos. A \u00faltima vez que estiveram juntos no Estado foi em 1994, na hist\u00f3rica apresenta\u00e7\u00e3o ao lado do Ramones e do Raimundos, no Gigantinho, em Porto Alegre. O que lembra daquela ocasi\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 P\u00f4, mano, lembro que foi legal pra caramba. A gente estava fazendo a tour inteira com o Ramones e uma das cidades onde a recep\u00e7\u00e3o rolou mais forte, do Brasil inteiro, acabou sendo a\u00ed. Os caras do Ramones vieram falar com a gente: \u201cPorto Alegre \u00e9 um dos lugares onde voc\u00eas t\u00eam os f\u00e3s mais loucos!\u201d. Engra\u00e7ado que, pelo lado do Ramones, era um dos locais onde eles tinham mais admiradores tamb\u00e9m. Foi quebradeira total, legal pra caramba. Uma das turn\u00eas mais divertidas que a gente fez.<\/p>\n<p><strong>Assim como o Ramones, voc\u00eas dividiram o palco e estreitaram la\u00e7os com outros artistas dos quais s\u00e3o abertamente f\u00e3s, como Black Sabbath, Motorhead, Slayer\u00e2\u20ac\u00a6 Na \u00e9poca em que o Sepultura come\u00e7ou, que voc\u00eas passavam perrengues l\u00e1 em Belo Horizonte, imaginavam que isso aconteceria?<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 O mais interessante \u00e9 que a gente n\u00e3o tinha nenhum plano de fazer isso. Aconteceu por conta de v\u00e1rios fatores: trabalhamos pra caramba, fizemos v\u00e1rias coisas pra chegar aonde chegamos. Muita gente acha que o Sepultura come\u00e7ou depois do segundo Rock in Rio, na \u00e9poca do Arise. Pessoal n\u00e3o sabe que tinha hist\u00f3ria por tr\u00e1s, que a gente fez muito show desde o comecinho, l\u00e1 em 1984, at\u00e9 chegar no que virou ali pelos anos 1990. Ent\u00e3o, acho que isso \u00e9 legal. E tamb\u00e9m o lance de n\u00e3o ter um plano. Hoje, eu vejo moleque come\u00e7ar uma banda j\u00e1 com business plan: tem que fazer n\u00e3o-sei-o-que no Facebook, no twitter, tem que ter follower\u00e2\u20ac\u00a6 N\u00e3o era nada disso! A gente fazia o som \u2013 e l\u00f3gico que a gente gostava pra caralho da parte de tocar \u2013 e, a\u00ed, um monte de gente ia curtindo cada vez mais, at\u00e9 chegar aonde chegou. Por\u00e9m, n\u00e3o tinha essa vis\u00e3o de business, nem a pau.<\/p>\n<p><strong>E como foi passar de f\u00e3 a \u00eddolo de muita gente?<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 \u00c9 muito louco, n\u00e9, mano! Pensa que um dia voc\u00ea est\u00e1 ali, ouvindo um vinil do Mot\u00f6rhead, e no outro est\u00e1 dividindo o palco com os caras. \u00c9 bem louco! E, al\u00e9m disso, voc\u00ea est\u00e1 ali batalhando junto com esses artistas. Isso era o mais legal de tudo. N\u00e3o era aquela coisa de \u201cabrir o show de n\u00e3o-sei-quem\u201d. A gente estava ali correndo atr\u00e1s junto com todo mundo. Isso era legal: ver que todos estavam na mesma batalha de fazer um som. \u00c9 muito bacana dar uma olhada no passado e ver o que a gente passou.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea come\u00e7ou a ter interesse por bateria indo aos jogos do Palmeiras e interagindo com as batucadas feitas pela torcida com instrumentos de percuss\u00e3o, certo? Acredita que ritmo \u00e9, antes de t\u00e9cnica, algo mais intuitivo, que nasce com a pessoa?<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 Putz, eu acho que os dois. Um n\u00e3o anda sem o outro. \u00c9 l\u00f3gico que, quanto mais voc\u00ea treina, mais vai ficar com t\u00e9cnica apurada. Mas, n\u00e3o adianta s\u00f3 ter a t\u00e9cnica. Eu acho que o feeling \u00e9 muito importante. Um batera que nem o John Bonhan at\u00e9 hoje \u00e9 citado mais pelo feeling do que pela t\u00e9cnica. Creio que, tudo que eu passei desde molequinho, indo no est\u00e1dio, vendo os caras tocar, me influenciou para o estilo pr\u00f3prio de tocar que acabei criando. Acho que isso vem um pouco de n\u00e3o querer a t\u00e9cnica perfeita, mas buscar algo que fosse do caralho pra banda, pra gente crescer juntos como m\u00fasico. Isso \u00e9 o mais legal de passar pra molecada nova. \u00c0s vezes, o cara fica muito bitolado em ser o mais r\u00e1pido, tocar melhor que os outros, e n\u00e3o consegue tocar uma m\u00fasica direito com outros caras. Fica travado na hora de criar, pois acha que tudo j\u00e1 foi feito. \u00c9 bom ter um pouco de cuidado nesse lado.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Eg42ojnsa_Q\" width=\"425\" height=\"344\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Em qual momento da carreira voc\u00ea percebeu que tinha desenvolvido um estilo pr\u00f3prio?<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 \u00c9 muito louco! Al\u00e9m de ter essa hist\u00f3ria de voc\u00ea estar buscando um jeito de tocar, a gente sofria muito com a sonoridade. Os primeiros discos do Sepultura a gente sabia que estavam bons pra caramba, mas n\u00e3o tinha o som que quer\u00edamos. N\u00e3o tinha produtor de metal no Brasil na \u00e9poca, os caras n\u00e3o sabiam produzir disco de rock. Acho que, a partir do Beneath the Remains, em 1989, comecei a ver que estava fazendo algo legal pra caralho e que tinha uma sonoridade que me permitia bater de frente com qualquer batera do mundo.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 que tocamos no assunto futebol\u00e2\u20ac\u00a6 O que achou da Copa no Brasil e todos os desdobramentos que vieram com ela (a derrota da sele\u00e7\u00e3o, manifesta\u00e7\u00f5es, obras inacabadas, pol\u00eamicas\u00e2\u20ac\u00a6)?<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 Acompanhei da Europa, pois n\u00e3o consegui ir para o Brasil. Fiquei trampando aqui, fazendo shows com o Mixhell. Mas, vou falar que, por aqui, eu fiquei bem satisfeito com o que eu vi em termos de na\u00e7\u00e3o. At\u00e9 a \u00faltima Copa antes dessa, na \u00c1frica, ningu\u00e9m falou nada. Mudou um pouco, no sentido positivo, de que neguinho est\u00e1 abrindo a boca. Antigamente n\u00e3o tinha essa, era todo mundo conformista achando que ia ter uma Copa no pa\u00eds e \u201cque legal, foda-se!\u201d. Foi legal ver que a popula\u00e7\u00e3o estava infeliz com o que estava acontecendo, com os abusos gerais que rolaram. Superfaturaram tudo pra fazer acontecer o Mundial e muita gente ficou puta. Isso eu acho positivo, porque passamos de um pa\u00eds que, at\u00e9 ent\u00e3o, tinha fama de que: se futebol est\u00e1 bem, est\u00e1 tudo certo. A Europa conseguiu ver que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava boa, era rid\u00edculo o que estavam fazendo, tanto a FIFA quanto os demais envolvidos no evento. De futebol foi bom tamb\u00e9m, porque aquela sele\u00e7\u00e3o era muito zoada. Tinha jogador ali nada a ver, tipo o Fred. N\u00e3o d\u00e1 pra achar que \u00e9 legal ser campe\u00e3o do mundo com um cara como ele no time. Bateu uma certa felicidade de ver o time se foder. Esses a\u00ed n\u00e3o v\u00e3o ficar pagando de rockstars 200 mil anos que nem os caras dos anos 70 ou 80, que jogavam muito. N\u00e3o era merecido.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 mais ou menos aquilo que voc\u00ea falou sobre o cara que monta uma banda por gostar de fazer som e acaba dando certo, e o outro que entra na m\u00fasica pela fama.<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 \u00c9, meu! Por esse lado, eu fiquei superfeliz de ver o Brasil tomar no cu. At\u00e9 queria que o time ganhasse, mas aqueles jogadores davam d\u00f3.<\/p>\n<p><strong>Voltando \u00e0 m\u00fasica\u00e2\u20ac\u00a6 Em 1996, o Sepultura, digamos, implodiu: Max foi para um lado tocar a vida profissional e voc\u00ea seguiu com o restante da forma\u00e7\u00e3o por mais 10 anos. Como foi esse per\u00edodo sem o seu irm\u00e3o na banda, j\u00e1 que voc\u00eas sempre pareceram ter uma afinidade muito forte?<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 Foi supercomplicado, porque, querendo ou n\u00e3o, tinha todo esse lado que a gente est\u00e1 falando de que eu e ele come\u00e7amos a parada juntos. Tem horas que \u2013 quem tem irm\u00e3o vai entender \u2013 um n\u00e3o fala a l\u00edngua do outro, as ideias n\u00e3o batem. E acaba acontecendo o que aconteceu com a gente. \u00c9 triste, mas realidade. O mais legal \u00e9 que, depois de tudo isso, a gente ainda teve for\u00e7a pra voltar e come\u00e7ar algo novo que \u00e9 o Cavalera Conspiracy. A vida \u00e9 muito curta, a gente poderia nunca mais ter tocado, ou um dos dois ter morrido. Fico feliz que a gente conseguiu se recuperar e voltar a tocar junto. \u00c9 aquela coisa de moleque, de curtir o som mesmo. Eu tenho isso com meu irm\u00e3o at\u00e9 hoje: a gente troca uns iPods cheio de m\u00fasicas dentro, coisa que a gente fazia desde os 14 anos. A gente ainda \u00e9 f\u00e3 de m\u00fasica, curte muito a hora que est\u00e1 no palco, troca ideia sobre som. N\u00e3o tem essa de uma hora pra outra viramos rockstars e s\u00f3 falamos de neg\u00f3cios. A gente continua dois moleques que piram na m\u00fasica. Pra mim \u00e9 gratificante de tocar com ele.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TM8YAHyi2TI\" width=\"425\" height=\"344\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Max tem dito em entrevistas que, para o novo disco do CC, ele ficou enchendo seu saco para voc\u00ea deixar o groove de lado e mandar brasa nas batidas mais retas e velozes. Como foi isso? Achou mais f\u00e1cil ou mais complicado tocar dessa maneira?<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 \u00c9 muito louco, porque quando eu e o Max come\u00e7amos a tocar as demos dos tr\u00eas discos do Cavalera, senti onde ele queria chegar. O lance do Pandemoniun foi que chegou uma hora em que a gente viu que a dire\u00e7\u00e3o do disco era essa: a bateria tinha de ser uma coisa muito minimalista. Isso de tocar sem muitas viradas, sem coisas que eu gosto de fazer, \u00e9 um puta desafio. Foi legal pra caralho pensar \u201ccomo que eu consigo tocar esse som sem firula nenhuma? \u00c9 no peito isso aqui, t\u00e1 ligado!\u201d. Quando ou\u00e7o o disco hoje, consigo perceber que foi a ideia certa que eu e ele tivemos no est\u00fadio. \u00c9 dif\u00edcil falar sem estar ouvindo o disco, mas, quando o \u00e1lbum sair, as pessoas entender\u00e3o melhor.<\/p>\n<p><strong>Esse registro deve ser realmente mais brutal, puxando para o grind e\/ou death?<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 \u00c9 dif\u00edcil, n\u00e3o sei. Tem influ\u00eancia, mas n\u00e3o sei se vai ser um disco de grindcore. O disco est\u00e1 pesado, bem mais agressivo do que os dois primeiros.<\/p>\n<p><strong>Vi um show do Mixhell alguns anos atr\u00e1s e achei bem bacana. O fato de voc\u00ea tocar bateria, al\u00e9m de ser respons\u00e1vel por trechos das partes eletr\u00f4nicas, d\u00e1 um ar mais org\u00e2nico do que se costuma ver em outros artistas do g\u00eanero. Como anda o projeto?<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 Eu sempre busquei umas ideias novas, de beat e de bateria. E com o Mixhell n\u00e3o \u00e9 diferente. A ideia \u00e9 tentar fazer alguma coisa dentro de m\u00fasica eletr\u00f4nica, que tenha uma puta pegada, que tenha aquela energia forte que vem mais do lado rock e metal. Mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o querer fazer um metal eletr\u00f4nico. N\u00e3o \u00e9 minha ideia. Esse era o desafio do projeto: fazer um som com pegada, sem virar uma coisa caricata do tipo \u201dagora eu toco metal eletr\u00f4nico\u201d. O motivo de eu estar morando em Londres \u00e9 por isso, pois aqui tem um mercado gigantesco, onde a gente consegue fazer muito mais show com o Mixhell, trabalhar com gente diferente. No Brasil \u00e9 um pouco mais complicado.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zUh4mJK5eOo\" width=\"425\" height=\"344\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>O ecletismo parece ser uma caracter\u00edstica sua: h\u00e1 v\u00eddeos nos quais voc\u00ea indica ou usa camisas de gente dos mais variados estilos (Clutch, LL Cool J, Possessed, Godflesh, Agnostic Front\u00e2\u20ac\u00a6). Isso foi pe\u00e7a chave ao desenvolver seu estilo de tocar? Ainda costuma ouvir de tudo?<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 \u00c9 o \u00fanico jeito que eu consigo ouvir m\u00fasica. \u00c9 at\u00e9 meio esquizofr\u00eanico, e sempre foi. Eu e o Max \u00e9ramos assim com o Sepultura. A gente n\u00e3o conseguia ficar separando tudo bonitinho: isso \u00e9 punk, isso \u00e9 hardcore. A gente achava legal e ia ouvindo. Lembro quando saiu o Beastie Boys com solo do Kerry King, do Slayer, pensamos: \u201cmuito foda!\u201d. Os moleques n\u00e3o acreditavam como a gente podia gostar daquilo. Pra moldar tanto a parte de m\u00fasica, quanto geral, tem de ter uma cabe\u00e7a mais aberta. E quanto mais idade voc\u00ea tem, mais vai abrindo a cabe\u00e7a. E n\u00e3o precisa gostar de tudo, porque tem muita bosta, muita m\u00fasica ruim. O lance \u00e9 sempre procurar coisas que voc\u00ea acha interessante, seja rock, hip hop, industrial, eletr\u00f4nico ou o que for. Isso \u00e9 superimportante.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EjXAJPEBMXM\" width=\"425\" height=\"344\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m do Mixhell e do CC, est\u00e1 envolvido com alguma outra empreitada musical?<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 Tem muita ideia. Eu estou querendo fazer algumas coisas novas, de tocar com convidados e fazer uns outros projetos, mas n\u00e3o tem nada na m\u00e3o ainda. Acho que nessa parte meu irm\u00e3o est\u00e1 mais adiantado.<\/p>\n<p><strong>A nova passagem do Cavalera Conspiracy pelo Brasil deve ter, al\u00e9m de faixas pr\u00f3prias e do Sepultura, alguma releitura (Nailbomb, Sabbath ou Dead Kennedys?)<\/strong><\/p>\n<p>Iggor Cavalera \u2013 Legal desses shows \u2013que a gente nem esperava \u2013, \u00e9 que o disco ainda n\u00e3o vai ter sa\u00eddo. Ent\u00e3o, vamos conseguir mostrar em primeira m\u00e3o para o Brasil umas coisas novas ao vivo. Isso vai ser do caralho! Normalmente acontece de a banda chegar no pa\u00eds no fim da tour, quando j\u00e1 n\u00e3o aguenta mais tocar. E a gente vai come\u00e7ar por a\u00ed. Vai ter meio que uma zona geral de coisas que eu e o Max fizemos juntos, desde Nailbomb at\u00e9 Sepultura, e bastante coisa do CC. Sobre os covers, a gente deixa as coisas abertas. \u00c0s vezes, algu\u00e9m da banda fica at\u00e9 meio perdido, porque eu e o Max nos olhamos e falamos: \u201cvamos fazer tal coisa\u201d. E o resto dos caras nem sempre est\u00e3o ligados. Rola meio no susto, de o meu irm\u00e3o falar pros caras: \u201csenta a\u00ed com o iPod e fica tocando tal coisa que pode pintar no show\u201d.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WW-V4kH49lA\" width=\"425\" height=\"344\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"col-md-12\">\n<p class=\"font-publicado\">Autor: Homero Pivotto Jr.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iggor Cavalera provocou estranheza quando, ao sair do Sepultura, em 2006, resolveu investir na m\u00fasica eletr\u00f4nica com o Mixhell \u2013 projeto que divide com a mulher, Laima Leyton. O baterista deu de ombros aos xiitas. Afinal, a iniciativa era s\u00f3 a materializa\u00e7\u00e3o dos anseios art\u00edsticos e do gosto ecl\u00e9tico respons\u00e1vel por moldar o estilo pr\u00f3prio de tocar que desenvolveu ao longo da carreira. Mas, o regozijo de seus detratores durou pouco. No mesmo ano em que deixou o grupo de metal brasileiro mais famoso do mundo, o mineiro, hoje com 43 anos, retomou os la\u00e7os com o irm\u00e3o, com quem n\u00e3o mantinha contato direto havia uma d\u00e9cada. O reencontro de Iggor &amp; Max Cavalera \u2013 n\u00facleo criador do Sepultura \u2013 foi carregado de emo\u00e7\u00f5es. E de m\u00fasica, claro. A partir dali, o peso do clima que se abatia sobre a dupla migrou para a nova empreitada musical criada por eles: o Cavalera Conspiracy. Resgatando as influ\u00eancias mais pesadas do antigo conjunto, o CC mostrou que a qu\u00edmica entre os dois continuava explosiva. Foi a oportunidade perfeita para o baterista fazer quem o acusava de n\u00e3o ser \u2018trOO\u2019 o suficiente morder a l\u00edngua. Prestes a lan\u00e7ar o terceiro disco, batizado de Pandemoniun, o Cavalera Conspiracy est\u00e1 com nova turn\u00ea marcada pelo Brasil, para setembro. Em Porto Alegre, a apresenta\u00e7\u00e3o rolar\u00e1 dia 14, no Opini\u00e3o (Rua Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, 834). Aproveitamos o ensejo para bater um papo com Iggor, por telefone, direto de Londres. Na conversa, ele fala sobre a turn\u00ea vindoura, o trampo in\u00e9dito do CC, futebol e outros assuntos. Por Homero Pivotto Jr. \u2013 Abstratti Produtora O show com o Cavalera Conspiracy marca a volta da dupla Iggor &amp; Max ao Rio Grande do Sul ap\u00f3s 20 anos. A \u00faltima vez que estiveram juntos no Estado foi em 1994, na hist\u00f3rica apresenta\u00e7\u00e3o ao lado do Ramones e do Raimundos, no Gigantinho, em Porto Alegre. O que lembra daquela ocasi\u00e3o? Iggor Cavalera \u2013 P\u00f4, mano, lembro que foi legal pra caramba. A gente estava fazendo a tour inteira com o Ramones e uma das cidades onde a recep\u00e7\u00e3o rolou mais forte, do Brasil inteiro, acabou sendo a\u00ed. Os caras do Ramones vieram falar com a gente: \u201cPorto Alegre \u00e9 um dos lugares onde voc\u00eas t\u00eam os f\u00e3s mais loucos!\u201d. Engra\u00e7ado que, pelo lado do Ramones, era um dos locais onde eles tinham mais admiradores tamb\u00e9m. Foi quebradeira total, legal pra caramba. Uma das turn\u00eas mais divertidas que a gente fez. Assim como o Ramones, voc\u00eas dividiram o palco e estreitaram la\u00e7os com outros artistas dos quais s\u00e3o abertamente f\u00e3s, como Black Sabbath, Motorhead, Slayer\u00e2\u20ac\u00a6 Na \u00e9poca em que o Sepultura come\u00e7ou, que voc\u00eas passavam perrengues l\u00e1 em Belo Horizonte, imaginavam que isso aconteceria? Iggor Cavalera \u2013 O mais interessante \u00e9 que a gente n\u00e3o tinha nenhum plano de fazer isso. Aconteceu por conta de v\u00e1rios fatores: trabalhamos pra caramba, fizemos v\u00e1rias coisas pra chegar aonde chegamos. Muita gente acha que o Sepultura come\u00e7ou depois do segundo Rock in Rio, na \u00e9poca do Arise. Pessoal n\u00e3o sabe que tinha hist\u00f3ria por tr\u00e1s, que a gente fez muito show desde o comecinho, l\u00e1 em 1984, at\u00e9 chegar no que virou ali pelos anos 1990. Ent\u00e3o, acho que isso \u00e9 legal. E tamb\u00e9m o lance de n\u00e3o ter um plano. Hoje, eu vejo moleque come\u00e7ar uma banda j\u00e1 com business plan: tem que fazer n\u00e3o-sei-o-que no Facebook, no twitter, tem que ter follower\u00e2\u20ac\u00a6 N\u00e3o era nada disso! A gente fazia o som \u2013 e l\u00f3gico que a gente gostava pra caralho da parte de tocar \u2013 e, a\u00ed, um monte de gente ia curtindo cada vez mais, at\u00e9 chegar aonde chegou. 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Foi a oportunidade perfeita para o baterista fazer quem o acusava de n\u00e3o ser \u2018trOO\u2019 o suficiente morder a l\u00edngua. Prestes a lan\u00e7ar o terceiro disco, batizado de Pandemoniun, o Cavalera Conspiracy est\u00e1 com nova turn\u00ea marcada pelo Brasil, para setembro. Em Porto Alegre, a apresenta\u00e7\u00e3o rolar\u00e1 dia 14, no Opini\u00e3o (Rua Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, 834). Aproveitamos o ensejo para bater um papo com Iggor, por telefone, direto de Londres. Na conversa, ele fala sobre a turn\u00ea vindoura, o trampo in\u00e9dito do CC, futebol e outros assuntos. Por Homero Pivotto Jr. \u2013 Abstratti Produtora O show com o Cavalera Conspiracy marca a volta da dupla Iggor &amp; Max ao Rio Grande do Sul ap\u00f3s 20 anos. A \u00faltima vez que estiveram juntos no Estado foi em 1994, na hist\u00f3rica apresenta\u00e7\u00e3o ao lado do Ramones e do Raimundos, no Gigantinho, em Porto Alegre. O que lembra daquela ocasi\u00e3o? Iggor Cavalera \u2013 P\u00f4, mano, lembro que foi legal pra caramba. A gente estava fazendo a tour inteira com o Ramones e uma das cidades onde a recep\u00e7\u00e3o rolou mais forte, do Brasil inteiro, acabou sendo a\u00ed. Os caras do Ramones vieram falar com a gente: \u201cPorto Alegre \u00e9 um dos lugares onde voc\u00eas t\u00eam os f\u00e3s mais loucos!\u201d. Engra\u00e7ado que, pelo lado do Ramones, era um dos locais onde eles tinham mais admiradores tamb\u00e9m. Foi quebradeira total, legal pra caramba. Uma das turn\u00eas mais divertidas que a gente fez. Assim como o Ramones, voc\u00eas dividiram o palco e estreitaram la\u00e7os com outros artistas dos quais s\u00e3o abertamente f\u00e3s, como Black Sabbath, Motorhead, Slayer\u00e2\u20ac\u00a6 Na \u00e9poca em que o Sepultura come\u00e7ou, que voc\u00eas passavam perrengues l\u00e1 em Belo Horizonte, imaginavam que isso aconteceria? Iggor Cavalera \u2013 O mais interessante \u00e9 que a gente n\u00e3o tinha nenhum plano de fazer isso. Aconteceu por conta de v\u00e1rios fatores: trabalhamos pra caramba, fizemos v\u00e1rias coisas pra chegar aonde chegamos. Muita gente acha que o Sepultura come\u00e7ou depois do segundo Rock in Rio, na \u00e9poca do Arise. Pessoal n\u00e3o sabe que tinha hist\u00f3ria por tr\u00e1s, que a gente fez muito show desde o comecinho, l\u00e1 em 1984, at\u00e9 chegar no que virou ali pelos anos 1990. Ent\u00e3o, acho que isso \u00e9 legal. E tamb\u00e9m o lance de n\u00e3o ter um plano. Hoje, eu vejo moleque come\u00e7ar uma banda j\u00e1 com business plan: tem que fazer n\u00e3o-sei-o-que no Facebook, no twitter, tem que ter follower\u00e2\u20ac\u00a6 N\u00e3o era nada disso! A gente fazia o som \u2013 e l\u00f3gico que a gente gostava pra caralho da parte de tocar \u2013 e, a\u00ed, um monte de gente ia curtindo cada vez mais, at\u00e9 chegar aonde chegou. Por\u00e9m, n\u00e3o tinha essa vis\u00e3o de business, nem a pau. E como foi passar de f\u00e3 a \u00eddolo de muita gente? Iggor Cavalera \u2013 \u00c9 muito louco, n\u00e9, mano! Pensa que um dia voc\u00ea est\u00e1 ali, ouvindo um vinil do Mot\u00f6rhead, e no outro est\u00e1 dividindo o palco com os caras. \u00c9 bem louco! E, al\u00e9m disso, voc\u00ea est\u00e1 ali batalhando junto com esses artistas. Isso era o mais legal de tudo. N\u00e3o era aquela coisa de \u201cabrir o show de n\u00e3o-sei-quem\u201d. A gente estava ali correndo atr\u00e1s junto com todo mundo. Isso era legal: ver que todos estavam na mesma batalha de fazer um som. \u00c9 muito bacana dar uma olhada no passado e ver o que a gente passou. Voc\u00ea come\u00e7ou a ter interesse por bateria indo aos jogos do Palmeiras e interagindo com as batucadas feitas pela torcida com instrumentos de percuss\u00e3o, certo? Acredita que ritmo \u00e9, antes de t\u00e9cnica, algo mais intuitivo, que nasce com a pessoa? Iggor Cavalera \u2013 Putz, eu acho que os dois. Um n\u00e3o anda sem o outro. \u00c9 l\u00f3gico que, quanto mais voc\u00ea treina, mais vai ficar com t\u00e9cnica apurada. Mas, n\u00e3o adianta s\u00f3 ter a t\u00e9cnica. Eu acho que o feeling \u00e9 muito importante. Um batera que nem o John Bonhan at\u00e9 hoje \u00e9 citado mais pelo feeling do que pela t\u00e9cnica. Creio que, tudo que eu passei desde molequinho, indo no est\u00e1dio, vendo os caras tocar, me influenciou para o estilo pr\u00f3prio de tocar que acabei criando. Acho que isso vem um pouco de n\u00e3o querer a t\u00e9cnica perfeita, mas buscar algo que fosse do caralho pra banda, pra gente crescer juntos como m\u00fasico. Isso \u00e9 o mais legal de passar pra molecada nova. \u00c0s vezes, o cara fica muito bitolado em ser o mais r\u00e1pido, tocar melhor que os outros, e n\u00e3o consegue tocar uma m\u00fasica direito com outros caras. 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Foi a oportunidade perfeita para o baterista fazer quem o acusava de n\u00e3o ser \u2018trOO\u2019 o suficiente morder a l\u00edngua. Prestes a lan\u00e7ar o terceiro disco, batizado de Pandemoniun, o Cavalera Conspiracy est\u00e1 com nova turn\u00ea marcada pelo Brasil, para setembro. Em Porto Alegre, a apresenta\u00e7\u00e3o rolar\u00e1 dia 14, no Opini\u00e3o (Rua Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, 834). Aproveitamos o ensejo para bater um papo com Iggor, por telefone, direto de Londres. Na conversa, ele fala sobre a turn\u00ea vindoura, o trampo in\u00e9dito do CC, futebol e outros assuntos. Por Homero Pivotto Jr. \u2013 Abstratti Produtora O show com o Cavalera Conspiracy marca a volta da dupla Iggor &amp; Max ao Rio Grande do Sul ap\u00f3s 20 anos. A \u00faltima vez que estiveram juntos no Estado foi em 1994, na hist\u00f3rica apresenta\u00e7\u00e3o ao lado do Ramones e do Raimundos, no Gigantinho, em Porto Alegre. O que lembra daquela ocasi\u00e3o? Iggor Cavalera \u2013 P\u00f4, mano, lembro que foi legal pra caramba. A gente estava fazendo a tour inteira com o Ramones e uma das cidades onde a recep\u00e7\u00e3o rolou mais forte, do Brasil inteiro, acabou sendo a\u00ed. Os caras do Ramones vieram falar com a gente: \u201cPorto Alegre \u00e9 um dos lugares onde voc\u00eas t\u00eam os f\u00e3s mais loucos!\u201d. Engra\u00e7ado que, pelo lado do Ramones, era um dos locais onde eles tinham mais admiradores tamb\u00e9m. Foi quebradeira total, legal pra caramba. Uma das turn\u00eas mais divertidas que a gente fez. Assim como o Ramones, voc\u00eas dividiram o palco e estreitaram la\u00e7os com outros artistas dos quais s\u00e3o abertamente f\u00e3s, como Black Sabbath, Motorhead, Slayer\u00e2\u20ac\u00a6 Na \u00e9poca em que o Sepultura come\u00e7ou, que voc\u00eas passavam perrengues l\u00e1 em Belo Horizonte, imaginavam que isso aconteceria? Iggor Cavalera \u2013 O mais interessante \u00e9 que a gente n\u00e3o tinha nenhum plano de fazer isso. Aconteceu por conta de v\u00e1rios fatores: trabalhamos pra caramba, fizemos v\u00e1rias coisas pra chegar aonde chegamos. Muita gente acha que o Sepultura come\u00e7ou depois do segundo Rock in Rio, na \u00e9poca do Arise. Pessoal n\u00e3o sabe que tinha hist\u00f3ria por tr\u00e1s, que a gente fez muito show desde o comecinho, l\u00e1 em 1984, at\u00e9 chegar no que virou ali pelos anos 1990. Ent\u00e3o, acho que isso \u00e9 legal. E tamb\u00e9m o lance de n\u00e3o ter um plano. Hoje, eu vejo moleque come\u00e7ar uma banda j\u00e1 com business plan: tem que fazer n\u00e3o-sei-o-que no Facebook, no twitter, tem que ter follower\u00e2\u20ac\u00a6 N\u00e3o era nada disso! A gente fazia o som \u2013 e l\u00f3gico que a gente gostava pra caralho da parte de tocar \u2013 e, a\u00ed, um monte de gente ia curtindo cada vez mais, at\u00e9 chegar aonde chegou. Por\u00e9m, n\u00e3o tinha essa vis\u00e3o de business, nem a pau. E como foi passar de f\u00e3 a \u00eddolo de muita gente? Iggor Cavalera \u2013 \u00c9 muito louco, n\u00e9, mano! Pensa que um dia voc\u00ea est\u00e1 ali, ouvindo um vinil do Mot\u00f6rhead, e no outro est\u00e1 dividindo o palco com os caras. \u00c9 bem louco! E, al\u00e9m disso, voc\u00ea est\u00e1 ali batalhando junto com esses artistas. Isso era o mais legal de tudo. N\u00e3o era aquela coisa de \u201cabrir o show de n\u00e3o-sei-quem\u201d. A gente estava ali correndo atr\u00e1s junto com todo mundo. Isso era legal: ver que todos estavam na mesma batalha de fazer um som. \u00c9 muito bacana dar uma olhada no passado e ver o que a gente passou. Voc\u00ea come\u00e7ou a ter interesse por bateria indo aos jogos do Palmeiras e interagindo com as batucadas feitas pela torcida com instrumentos de percuss\u00e3o, certo? Acredita que ritmo \u00e9, antes de t\u00e9cnica, algo mais intuitivo, que nasce com a pessoa? Iggor Cavalera \u2013 Putz, eu acho que os dois. Um n\u00e3o anda sem o outro. \u00c9 l\u00f3gico que, quanto mais voc\u00ea treina, mais vai ficar com t\u00e9cnica apurada. Mas, n\u00e3o adianta s\u00f3 ter a t\u00e9cnica. Eu acho que o feeling \u00e9 muito importante. Um batera que nem o John Bonhan at\u00e9 hoje \u00e9 citado mais pelo feeling do que pela t\u00e9cnica. Creio que, tudo que eu passei desde molequinho, indo no est\u00e1dio, vendo os caras tocar, me influenciou para o estilo pr\u00f3prio de tocar que acabei criando. Acho que isso vem um pouco de n\u00e3o querer a t\u00e9cnica perfeita, mas buscar algo que fosse do caralho pra banda, pra gente crescer juntos como m\u00fasico. Isso \u00e9 o mais legal de passar pra molecada nova. \u00c0s vezes, o cara fica muito bitolado em ser o mais r\u00e1pido, tocar melhor que os outros, e n\u00e3o consegue tocar uma m\u00fasica direito com outros caras. Fica travado na hora de criar, pois acha que tudo j\u00e1 foi feito. \u00c9 bom ter um pouco de cuidado nesse lado. Em qual momento da carreira voc\u00ea percebeu que tinha desenvolvido um estilo pr\u00f3prio? Iggor Cavalera \u2013 \u00c9 muito louco! Al\u00e9m de ter essa hist\u00f3ria de voc\u00ea estar buscando um jeito de tocar, a gente sofria muito com a sonoridade. Os primeiros discos do Sepultura a gente sabia que estavam bons pra caramba, mas n\u00e3o tinha o som que","og_url":"https:\/\/agendametal.com.br\/novo\/cavalera-conspiracy-confira-entrevista-com-iggor-cavalera\/","og_site_name":"Agenda Metal","article_published_time":"2014-08-04T08:55:08+00:00","og_image":[{"width":310,"height":205,"url":"https:\/\/agendametal.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/iggor_cavalera-1.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"agenda","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"agenda","Est. tempo de leitura":"13 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/agendametal.com.br\/novo\/cavalera-conspiracy-confira-entrevista-com-iggor-cavalera\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/agendametal.com.br\/novo\/cavalera-conspiracy-confira-entrevista-com-iggor-cavalera\/"},"author":{"name":"agenda","@id":"https:\/\/agendametal.com.br\/novo\/#\/schema\/person\/082edfcc28fbfbea8bcd293758414254"},"headline":"Cavalera Conspiracy: confira entrevista com Iggor Cavalera","datePublished":"2014-08-04T08:55:08+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/agendametal.com.br\/novo\/cavalera-conspiracy-confira-entrevista-com-iggor-cavalera\/"},"wordCount":2557,"commentCount":0,"image":{"@id":"https:\/\/agendametal.com.br\/novo\/cavalera-conspiracy-confira-entrevista-com-iggor-cavalera\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/agendametal.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/iggor_cavalera-1.jpg","articleSection":["Entrevistas"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/agendametal.com.br\/novo\/cavalera-conspiracy-confira-entrevista-com-iggor-cavalera\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/agendametal.com.br\/novo\/cavalera-conspiracy-confira-entrevista-com-iggor-cavalera\/","url":"https:\/\/agendametal.com.br\/novo\/cavalera-conspiracy-confira-entrevista-com-iggor-cavalera\/","name":"Cavalera Conspiracy: confira entrevista com Iggor Cavalera - 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