Megadeth: confira entrevista com o guitarrista Kiko Loureiro

Publicado em 22/07/2016


Mais Conquista, Menos Utopia – Entrevista Kiko Loureiro (Megadeth)

Por Homero Pivotto Jr. – Abstratti Produtora. 

O carioca Kiko Loureiro é, desde 2015, um dos guitarristas do Megadeth. Ele divide a função com o líder e vocalista do conjunto, Dave Mustaine. A escolha de um músico brasileiro para o posto deixado por Chris Broderick ouriçou o meio metálico. Afinal, o grupo estadunidense é uma das instituições do thrash metal mundial – sendo, inclusive, um dos Big Four do estilo ao lado de Metallica, Slayer e Anthrax – e um dos grandes nomes do som pesado mainstream. Mas a escolha não foi à toa.

Kiko tem experiência de quase um quarto de século no meio musical, período em que lançou mais de 10 discos com o Angra (pilar do heavy metal melódico nacional), projetou-se em carreira solo com êxito e excursionou mundo afora. É essa experiência empírica de estar em uma banda, de trabalhar e compor em equipe, que ele acredita ter sido crucial no convite para integrar o grupo que nasceu após a dissidência de Mustaine do Metallica. Mais até do que a qualidade técnica de seu trabalho.

É isso que ele revela na entrevista a seguir, cedida com exclusividade para a Abstratti Produtora e respondida de dentro do tour bus, provavelmente, rodando por terras européias. Kiko também discorre sobre sua contribuição para o disco mais recente do quarteto e expectativa de tocar pela primeira vez com o Megadeth para seus conterrâneos, em agosto. A gira nacional passará por Porto Alegre dia 16, no Pepsi on Stage, com abertura dos locais da It’s All Red – aprovados pelo próprio Mustaine.

Mais informações sobre as atrações e serviço no link http://goo.gl/876nls.
 


Dystopia, nome do último disco do Megadeth, é uma palavra forte, com um significado carregado de conceitos negativos. Mas, a bad vibe fica restrita ao nome – afinal, o trabalho foi muito bem recebido. Pode-se dizer que, para você, é um tipo de utopia fazer parte da atual fase da banda? Por quê?

Kiko Loureiro – Realmente, ‘Dystopia’ é uma palavra forte. As letras também, pois é um disco bem politizado. É meio que prevendo algo ruim no futuro, negativo, como será o mundo. A faixa ‘Post American World’ é um exemplo. Eu gostei muito de acompanhar a evolução das letras, da escolha dos títulos – os nomes das músicas foram se transformado. Durante o processo, o conceito do álbum foi ficando mais claro na cabeça da banda, na mente do Mustaine. E foi assim que virou o disco que tá aí. Eu não sei se é utopia fazer parte do Megadeth, mas eu me sinto superbem e feliz de estar me adaptando, por ser uma banda completamente americana (de hsitórias e de conceitos do seu país de origem). E, de repente, estou eu, um brasileiro, no meio dos gringos. Eu fico contente porque sei que eles enxergam muito o valor que eu posso trazer pra banda, e os fãs têm curtido. Então, não tem essa coisa de fronteira, de nacionalidades.

Mas, assim, não sei se chega a ser uma utopia, pois eu acredito que a música brasileira sempre foi bem ativa no mundo inteiro. Os músicos brasileiros são uma referência. Talvez não no rock, nem tanto no metal. Tem o Sepultura, tem o Angra e tal, sempre com uma identidade bem brasileira. Existem vários brasileiros pelo mundo tocando. Tem a história da nossa MPB que se espalhou pelo planeta todo. Então, acho que não é uma utopia, é algo bem natural um músico do Brasil conquistar espaços internacionais. Talvez, no caso do rock ou do metal, ou de você tocar em uma banda bem americana, seja um pouco mais raro.
 

Acredita que a bagagem profissional (mais de 10 discos com o Angra, além da expressividade como guitarrista) foi decisiva para que fosse escolhido como substituto de Chris Broderick ? Ou o fato de Dave Mustaine ter simpatizado contigo, como ele mesmo afirma em entrevistas, teve tanta relevância quanto tua trajetória?

Kiko Loureiro – Quando eu conheci o Dave foi como pessoa, e não foi só ele quem decidiu. Além disso, o David Ellefson indicou. Agora, de dentro da banda, entendo melhor como funciona tudo. Por exemplo: o manager pede opinião pra pessoas em quem ele confia pra indicar e ele dar uma olhada e tal. Então, acho que meu nome apareceu numa lista de guitarristas, o Mustaine foi olhando e chegou a conclusão de que eu seria o cara indicado. Mas, antes, eu passei um dia com ele, trocando ideia, conversando sobre família, vida e várias outras coisas. Nem cheguei a tocar com ele, na realidade, num primeiro momento.

Acho que não foi muito essa questão da bagagem profissional. Claro que, provavelmente, quando eu conversei com ele ao longo do dia, o cara já sabia – eu já tinha feito uma foto com ele no Japão, em 2008, se não me engano, quando a gente saiu na capa de uma revista – que eu tinha uma banda que era conhecida e respeitada em solo nipônico, que tinha uma história na América Latina. Só que isso devia ser algo vago pra ele e para o Ellefson, que estão com a carreira mais ligada ao mercado norte-americano, que é muito forte. Por isso, acaba tendo esse olhar mais de o que está rolando nos EUA do que fora. E, quando não é lá, é mirando para a Europa, onde tem muitos nomes fortes do rock e metal. Então, ele não tinha esse conhecimento da minha trajetória profissional. Agora, há um ano e pouco no Megadeth, com certeza, eles percebem o que eu trago da experiência com o Angra, que isso é muito positivo. Acredito que essa questão, de como a gente fazia as coisas com o Angra e de como eu posso trazer tal experiência pra dentro do Megadeth, seja meu maior diferencial. Mais do que a qualidade do que eu toco.
 


O mais recente álbum do Megadeth conta com três colaborações suas de fato, uma trinca de músicas assinadas junto com o líder da banda (‘Poisonous Shadows’, ‘Post-American World’ e ‘Conquer or Die’). Como conseguiu esse espaço? Há outras contribuições suas, digamos, menores no disco?

Kiko Loureiro – O Dave Mustaine sabe muito bem o que quer. As músicas já estavam encaminhadas quando eu cheguei pra ensaiar, pra fazer a pré-produção. A questão da experiência de trabalhar em uma banda, de compor bastante no Angra, de entender como é o processo criativo, de saber como funciona uma relação em equipe pra criar junto, eu posso dizer que entendo bem. Por isso, consigo me posicionar para criar essa relação saudável. Tem várias dicas e manhas pra se conseguir isso. Principalmente, em um ambiente novo com uma pessoa como o Mustaine, que sabe bem o que quer e é o compositor da banda. Eu fui ali, devagar, colocando sementinhas de leve, e ele (Mustaine) pegou um respeito e ficou mais seguro pra ver o que eu tinha a mostrar. Foi um processo. Fiquei seis semanas com eles, um mês e meio, e as primeiras semanas eu mais observava. Depois, aos poucos, fui mostrando alguns caminhos. Acho que ele foi bem generoso de abrir espaço e sentiu que eu estava ali pra ajudar, pra acrescentar, e algumas ideias eram viáveis.

E, claro, teve ainda, ao longo da gravação, pequenas coisas de guitarra, uns solos ou melodias, que não chegam a ser consideradas composições – que não afetam a música ao ponto de você ter o nome nos créditos. É algo normal, que se está ali sempre tentando jogar ideias no meio.
 


No futuro, quando revisitar toda sua obra, acha que vai considerar o fato de ter sido membro do Megadeth como a principal conquista profissional – em termos de projeção? A que trouxe mais emoção e realização pessoal também?

Kiko Loureiro – Acho que não. No Angra a gente tem discos fantásticos, que foram marcantes na carreira, que me colocaram na música. O ‘Angel’s Cry’, primeiro álbum, é um exemplo. O ‘Rebirth’, quando a gente mudou a formação e conseguimos manter a banda superbem. O Megadeth eu não sei como vou olhar depois, com certo distanciamento no tempo, porque é uma coisa completamente diferente. Mas, com certeza, os meus discos solos, os do Angra e essa participação no Megadeth são as pedras fundamentais na carreira. Todas de importância meio por igual, pois, sem uma, não haveria a próxima. Alguns registros são mais conceituados do que outros, uns têm mais sucesso do que outros, mas todos fazem parte da minha vida. Então, acho que vou olhar pra isso da mesma forma que para outros trabalhos. Esse disco com o Megadeth é a porta de entrada para uma carreira ainda mais internacional, uma entrada mais para o mercado americano. Não sei como vou ver isso no futuro.
 


E sobre as turnês, há muita diferença de quando viajava com o Angra, por exemplo? Caso sim, quais seriam?

Kiko Loureiro – Tem mais luxo, né. Sempre hotéis top. Quando viajava com o Angra ia banda e equipe junto, agora a crew vai separada. Então, temos um ônibus gigante só pra nós. Como são cinco pessoas, fica mais conforto, mais espaço, mais luxo. A produção tem mais pessoas envolvidas, para que todos os detalhes sejam muito bem pensados. Tô aprendendo bastante. O Angra tinha situações legais também. A grande diferença é que, quando ia para o Japão, por exemplo, era tudo de primeira. E, de repente, fazia show em São Paulo ou outra cidade grande, até no Chile, em um uma casa legal, e tinha uns momentos que não eram tão bacanas. Rolava uns perrengues e tal. Acho que o grande lance, agora, é que todos os shows estão praticamente com o mesmo padrão alto, seja em uma cidade grande dos EUA, da Inglaterra, ou num evento menor. Eles conseguem manter sempre um padrão alto e constante. Não tem de fazer economia nisso ou naquilo porque o show é menor.
 

Há um vídeo que foi divulgado recentemente no qual você mostra, ao lado de um roadie, um pouco sobre os equipamentos e instrumentos que usa. Além de buscar aprimoramento como músico, também preocupa-se em ficar sempre atualizado sobre guitarras, amplificadores, pedais e etc? Como?

Kiko Loureiro – Equipamento faz parte do trabalho. Já havia um sistema, mas eu ajudei a montar o que o Megadeth usa hoje em dia. De certa forma, é também um jeito de contribuir pra banda. Nem sou um cara tão tecnológico assim, nem tão ligado em equipamento, mas, se faz necessário. Eu busco entender, cada vez mais, e participar. Fazer o vídeo para os fãs foi legal porque muita gente perguntou como era e tal. Aí, resolvi mostrar.
 


Além da parte técnica, como você e o resto da banda costumam se preparar para os shows, desde aquecimento até concentração? Há algum tipo de ritual pré-palco?

Kiko Loureiro – A gente tem uma sala de ensaio no backstage, o que também é um luxo que o Angra não tinha tanto. Tem um amplificador de baixo e dois de guitarra, computador que dá pra gravar material, um monitor de estúdio, uma batera eletrônica completa e PA pequeno. Muitas vezes, uma hora antes do show a gente vai lá e fica tocando, se precisa tirar uma música nova ou rever alguma coisa que não tá rolando legal. Isso também é um luxo legal.

Basicamente, chegamos muitas horas antes da apresentação no local do evento pra dar tempo de fazer meet & greet, de repente alguma conversa importante. Também jantamos no local show. Tem case com as roupas (que evita de ficarmos carregando mala) e uma pessoal especial só pra cuidar essa parte de vestuário, lavar, cuidar, passar e tal. É isso que fazemos antes dos shows. De ritual, tem aquele momento antes de entrar no palco em que nos juntamos e o Ellefson dá algumas palavras, tipo reza ou fala alguma mensagem, pois eles são bem protestantes. Então, os dois Daves sempre têm algo a dizer. É bem legal, geralmente tem a ver com o lugar onde a gente tá, algo que passou e foi interessante.
 

Será sua estreia em solo brasileiro tocando com o Megadeth. O que isso significa e quais amigos do meio musical brasileiro gostaria que estivessem prestigiando esse momento?

Kiko Loureiro – Vai ser emocionante tocar no Brasil com o Megadeth. Vamos ver como vai ser a experiência. Mas, certamente será muito legal de estar com o público brasileiro, mais do que com amigos do meio musical. Tenho certeza que tem muito fã do Angra que me acompanha e é admirador do Megadeth também. É uma expectativa bem forte, estou bem ansioso pra esses shows do Brasil.
 

 



 

SERVIÇO MEGADETH EM PORTO ALEGRE

Local
Pepsi on Stage – Av. Severo Dullius, 1995

Quando
16 de agosto, terça-feira, 21h

Horários
19h – abertura da casa
20h – It’s All Red
21h – MEGADETH

Terceiro lote (Primeiro e segundo lotes estão esgotados)

Pista
Promocional (valor reduzido, por promoção, disponível para qualquer pessoa) – R$ 165,00
Meia-entrada (50% de desconto para estudantes e idosos) – R$160,00 *
Inteira – R$ 320,00 

Mezanino

Promocional (valor reduzido, por promoção, disponível para qualquer pessoa) – R$ 195,00
Meia-entrada (50% de desconto para estudantes e idosos) – R$ 190,00 *
Inteira – R$ 380,00

Pista VIP
Promocional (valor reduzido, por promoção, disponível para qualquer pessoa) – R$ 255,00
Meia-entrada (50% de desconto para estudantes e idosos) – R$ 250,00
Inteira – R$ 500,00

* Para o benefício da meia-entrada (50% de desconto), é necessário apresentar comprovação no dia do evento, ao acessar o local do show. Os documentos aceitos como válidos estão determinados no artigo 4º da Lei Estadual 14.612/14.

Classificação etária:
16 anos

Pontos de venda:
Online

www.ticketbrasil.com.br (em até 12x no cartão)

Lojas
SEM TAXA DE CONVENIÊNCIA:

Youcom – Bourbon Wallig, 3º piso. Fone: (51) 2118-1186

COM TAXA DE CONVENIÊNCIA (R$ 5,00):

Youcom – Bourbon Ipiranga, 1º piso. Fone: (51) 3204-5210.

Youcom – Shopping Praia de Belas, 3º piso. Fone: (51) 3206-5530.

Youcom – Barra Shopping, térreo. Fone: (51) 3206-5423.

Youcom – Novo Hamburgo (Av. Nações Unidas, 2001, segundo piso), lojas 2086/2090 – Bairro Rio Branco.

Multisom – Andradas Rua dos Andradas, 100,  loja 01/02. Fone: (51) 3931-5283.

Multisom – Shopping Canoas (AV. Guilherme Schell, 6750), loja 69/70 – Centro. Fone: (51) 3941-6211.

Multisom – São Leopoldo (Rua Primeiro de Março, 821), loja 204 – Centro. Fone: (51) 3952-1310.

*A organização do evento não se responsabiliza por ingressos comprados fora do site e pontos de venda oficiais.

*Será expressamente proibida a entrada de câmeras fotográficas profissionais e semiprofissionais, bem como filmadoras de qualquer tipo.
 

Resumo
O quê: 
Megadeth
Onde: Pepsi on Stage (Av. Severo Dullius, 1995)
Quando: terça-feira, 16 de agosto, 21h
Quanto: Pista R$ 90 a R$ 320/ Mezanino R$ 125 a R$ 380 / Vip R$ 160 a R$ 500

Informações
(51) 3026-3602

abstratti@abstratti.com.br
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