A “Gothic Night” da última sexta-feira, 12 de dezembro, na Burning House, tinha tudo para ser uma celebração intensa do gothic e death rock — e foi, apesar de São Paulo enfrentar uma semana marcada por vendavais, tempestades e apagões que afetaram a cidade inteira. As quedas de energia também atingiram o evento, gerando atrasos e momentos de instabilidade que poderiam comprometer a experiência. No entanto, a produção soube administrar a situação com rapidez e eficiência, contornando cada problema de forma responsável para garantir que as apresentações acontecessem da melhor maneira possível.
A noite começou com Gene Loves Jezebel, liderado por Michael Aston, que rapidamente conquistou o público. Carismático, expressivo e profundamente conectado com a plateia, Aston conduziu o set com uma entrega contagiante, trazendo o espírito do post-punk oitentista para o palco com elegância e força. Clássicos como “Heartache”, “Desire” e “The Motion of Love” foram recebidos com entusiasmo, embalando a casa em uma atmosfera nostálgica e vibrante. Mesmo com os imprevistos da noite, a banda brilhou — e Aston, em especial, entregou uma performance segura, afetuosa e cheia de presença.
Após o Gene Loves Jezebel, foi a vez dos norte-americanos do Christian Death, comandados por Valor Kand e Maitri Nicolai, encerrarem a noite. O grupo trouxe ao palco toda a estética sombria e teatral que os tornou um dos pilares do death rock mundial. A performance foi densa, dramática e hipnótica, com faixas como “Romeo’s Distress”, “Tales Of Innocence” e momentos de seu álbum mais recente, Evil Becomes Rules. Maitri, como sempre, entregou vocais marcantes e uma presença magnética, enquanto Valor guiava o público por camadas sonoras carregadas de tensão e melancolia.
Mesmo diante das dificuldades técnicas que fogem ao controle de qualquer produção — ainda mais em uma semana caótica para a cidade — ambas as bandas entregaram apresentações de alto nível, mantendo a entrega artística e o profissionalismo intactos. O público, por sua vez, respondeu com apoio e compreensão, transformando o evento em uma noite que será lembrada não pelos contratempos, mas pela força e pela qualidade das performances.
No fim, a Gothic Night confirmou o que já se sabia: Christian Death e Gene Loves Jezebel continuam relevantes, intensos e capazes de criar experiências marcantes ao vivo.
Gene Loves Jezebel
Christian Death
Por: Priscila Ramos
















































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