Entre os dias 29 de janeiro e 2 de fevereiro, vivi uma das experiências mais marcantes da minha trajetória como fã de heavy metal: o 70000 Tons of Metal 2026. Todos os anos, o cruzeiro parte de Miami rumo a um destino diferente, e nesta edição o roteiro teve como parada Nassau, nas Bahamas, reforçando ainda mais o caráter único e especial de cada viagem.
Esta foi a 14ª edição do maior cruzeiro de metal do mundo e marcou a minha segunda participação no evento — a primeira havia sido em 2015. Voltar depois de tantos anos já era especial por si só, mas desta vez houve um diferencial importante: participei como parte do time de imprensa, o que tornou tudo ainda mais intenso, completo e significativo.
Desde os primeiros momentos, ficou claro que não se tratava apenas de um festival. O 70000 Tons é uma experiência que envolve música, convivência, conforto e uma conexão muito próxima entre público, bandas e crew — algo difícil de encontrar em qualquer outro evento.
Poucas horas antes do embarque, a organização anunciou uma alteração no itinerário devido a uma forte tempestade de inverno que atingia a América do Norte. Para garantir melhores condições, a parada em Nassau, nas Bahamas, foi antecipada. Com isso, embarcamos no dia 29/01 e já seguimos diretamente para o destino no dia seguinte. A mudança impactou toda a programação, mas também evidenciou, mais uma vez, o profissionalismo e o cuidado da equipe em priorizar a experiência dos participantes.
Chegamos ao porto por volta das 13h30. O processo de check-in é bem parecido com o de um aeroporto, com controle de bagagem, raio-x e conferência de documentos, o que transmite uma sensação imediata de organização e segurança.
Ao entrar no navio, o impacto é instantâneo: luxo, estrutura impecável e, ao mesmo tempo, milhares de camisetas pretas, patches, coletes e jaquetas espalhados por todos os lados. É um contraste curioso — e extremamente encantador. Mais do que isso, ali não existe uma separação clara entre público e artistas: todos circulam pelos mesmos corredores, restaurantes, elevadores e áreas comuns. Não há backstage no sentido tradicional, e encontrar seus músicos favoritos tomando café (ou uma cerveja), caminhando pelo navio ou assistindo a outros shows é algo absolutamente normal. Essa proximidade torna a experiência ainda mais especial e humana.
Depois de deixar as malas na cabine e respirar fundo por alguns minutos, veio a certeza: era hora de começar oficialmente a maratona de shows, encontros, descobertas e momentos que, dali em diante, se tornariam inesquecíveis.
Shows do Dia 1
Harakiri for the Sky — Studio B
O primeiro grande impacto emocional. Atmosférico e intenso, o show envolveu o público em uma atmosfera melancólica e profunda, com destaques para “Heal Me”, “Without You I’m Just a Sad Song” e “With Autumn I’ll Surrender”.
Soen — Royal Theater
Técnico, preciso e envolvente, o grupo apresentou um setlist sólido e muito bem construído, passando por faixas como “Sincere”, “Antagonist”, “Unbreakable” e “Lascivious”, além de “Lotus” e “Violence”. O grande destaque ficou para a estreia ao vivo de “Primal”, apresentada pela primeira vez no palco, tornando o show ainda mais especial para quem acompanhava de perto.
Anthrax — Royal Theater
Uma verdadeira explosão de energia. A banda apresentou um set recheado de clássicos como “Caught in a Mosh”, “Madhouse”, “I Am the Law” e “Indians”, além das versões de “Got the Time” e “Antisocial”, transformando o Royal Theater em um grande espaço de coro coletivo, empolgação e celebração do thrash metal.
Kanonenfieber — Studio B
Um dos shows mais impactantes e, sem dúvida, entre os meus favoritos do primeiro dia. Eu já queria muito ter visto a banda em São Paulo no ano passado, mas a apresentação acabou coincidindo com o mesmo dia do Mayhem, o que aumentou ainda mais a minha expectativa para esse momento.
No Studio B, o Kanonenfieber entregou uma performance intensa e altamente imersiva, com um repertório poderoso que incluiu “Grossmachtfantasie”, “Menschenmühle”, “Sturmtrupp”, “Panzerhenker” e “Die Havarie”. A combinação entre peso, narrativa e atmosfera transformou o show em uma experiência arrebatadora, daqueles que ficam na memória — facilmente no meu top 3, senão o melhor do dia.
Leaves’ Eyes — Royal Theater
Já passava das 3h da manhã, mas a banda entregou uma apresentação intensa e envolvente, encerrando o meu primeiro dia de shows em clima épico. O repertório passou por “Chain of the Golden Horn”, “Hammer of the Gods”, “Across the Sea” e “Realm of Dark Waves”, reforçando a identidade grandiosa e cinematográfica do grupo.
Para quem quiser conferir a programação completa do evento, com todos os horários e palcos, a running order oficial está disponível neste link: RUNNING ORDER
Bastidores e Primeiros Contatos
Além dos shows, o primeiro dia também foi dedicado a explorar cada canto do navio, conhecer o restaurante principal, participar do encontro com os músicos que integrariam o All-Star Jam e viver as primeiras conversas espontâneas nos corredores, elevadores e cada canto do navio. Essa proximidade entre público e artistas é uma das marcas mais especiais do 70000 Tons of Metal.
O primeiro dia terminou com poucas horas de sono e muita expectativa. No dia seguinte, o navio atracaria em Nassau — e o clima começaria a mudar drasticamente.
Confira também o reels com os melhores momentos do primeiro dia neste link: https://www.instagram.com/p/DVFS6m9jk4h/
Na Parte 2, falo sobre as Bahamas, a virada do tempo e mais impressões da edição 2026.
Por: Priscila Ramos
































Nenhum Comentário ainda! Seja o(a) Primeiro(a) a Comentar!!!