Korn retorna ao Brasil e lota o Allianz Parque após nove anos

Nove anos. Esse foi o tempo que os fãs brasileiros precisaram esperar para rever o Korn em São Paulo. Quando as luzes do Allianz Parque se apagaram na noite de 16 de maio de 2026, a sensação era de que ninguém estava disposto a desperdiçar um único segundo daquela espera. Nem mesmo a chuva torrencial que cairia mais tarde seria capaz de diminuir a intensidade do encontro entre a banda e cerca de 50 mil pessoas que lotaram o estádio.

A programação começou cedo. Às 17h45, o Black Pantera abriu os trabalhos mostrando por que se tornou uma das bandas mais importantes do metal nacional contemporâneo. Com a energia de sempre, o trio encontrou um público que chegava aos poucos ao estádio, mas já demonstrava disposição para transformar aquela noite em algo especial.

Na sequência, às 18h45, foi a vez do Seven Hours After Violet. Liderado por Shavo Odadjian, baixista do System of a Down, o grupo mostrou que não estava ali apenas por curiosidade. Faixas como “Abandon”, “Radiance”, “Alive” e “Paradise” foram recebidas com entusiasmo crescente, enquanto a inédita “Graves”, apresentada antes de seu lançamento oficial, despertou atenção especial do público.

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Às 20h, o Allianz recebeu uma das bandas mais aguardadas da noite. O Spiritbox confirmou ao vivo por que se tornou um dos maiores fenômenos do metal moderno. A presença de palco de Courtney LaPlante é magnética, alternando vocais melódicos e agressivos com uma naturalidade impressionante. “Jaded”, “Circle With Me”, “Rotoscope” e “Holy Roller” transformaram o estádio em uma grande celebração do metal contemporâneo.

Mas era impossível ignorar a ansiedade crescente. Conforme o relógio se aproximava das 21h30, os olhares se voltavam para o palco coberto por um enorme pano preto. Nove anos depois da última passagem da banda pelo Brasil, o momento finalmente havia chegado.

As primeiras notas de “Blind” ecoaram pelo estádio enquanto a expectativa atingia seu limite. Então veio o clássico “Are you ready?” e a cortina caiu. O Allianz Parque explodiu.

Desde os primeiros segundos ficou claro que o Korn não estava ali apenas para cumprir tabela. “Twist”, “Here to Stay” e “Got the Life” vieram em sequência, criando um início devastador. O som estava gigantesco. Grave, pesado e cristalino ao mesmo tempo. As guitarras de Brian Welch e James Shaffer pareciam formar uma parede sonora que envolvia o estádio inteiro.

Foi durante “Did My Time” que a chuva começou a aparecer. Primeiro tímida, quase decorativa. Pouco depois, transformou-se em um verdadeiro dilúvio. O curioso é que ninguém parecia se importar. Pelo contrário. Conforme a água caía cada vez mais forte, a energia do público aumentava na mesma proporção.

O Korn soube equilibrar perfeitamente nostalgia e presente. “Clown”, “Shoots and Ladders” e “Coming Undone” fizeram a alegria dos fãs mais antigos. O tradicional momento da gaita de foles em “Shoots and Ladders”, seguido pelo trecho de “One”, do Metallica, arrancou aplausos instantâneos. Já “Reward the Scars”, lançada recentemente e associada ao universo de Diablo IV, mostrou que a banda ainda tem muito a dizer artisticamente.

Entre uma música e outra, Jonathan Davis fez questão de agradecer a paciência dos fãs brasileiros. Visivelmente emocionado, reconheceu os nove anos de ausência e prometeu que a próxima visita não demorará tanto. O carinho foi devolvido em coro por um estádio inteiro.

A reta final do show foi construída como uma coleção de clássicos incontestáveis. “Cold”, “Twisted Transistor”, “Dirty”, “Somebody Someone” e “Ball Tongue” prepararam o terreno para um encerramento avassalador. Quando “Y’All Want a Single” surgiu, acompanhada pelo tradicional coro de “fuck that”, o Allianz já parecia ter perdido qualquer resquício de energia guardada.

Mas ainda havia espaço para mais.

O bis começou com “4 U” e rapidamente mergulhou em uma sequência impossível de contestar. “Falling Away From Me”, “A.D.I.D.A.S.” e, finalmente, “Freak on a Leash”. Durante os últimos minutos, já não importava mais a chuva, a roupa encharcada ou o cansaço acumulado de horas em pé. O Allianz inteiro cantava junto.

Ao final, ficou a sensação de que o Korn finalmente alcançou no Brasil o tamanho que sua história sempre mereceu. Depois de anos ocupando casas menores, a banda provou que pertence aos grandes estádios. E fez isso da forma mais Korn possível: transformando dor, estranheza, peso e emoção em uma experiência coletiva impossível de esquecer.

Fotos: (@pridiabr/@30ebr)
Texto: Priscila Ramos

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