O Masters of Voices nasceu com uma proposta pouco comum: colocar no mesmo palco quatro grandes vocalistas que construíram carreiras em diferentes vertentes do rock e do heavy metal. E o projeto mostrou que a reunião vai muito além do peso dos nomes envolvidos.
Estive presente no show realizado no sábado, 18 de julho, no Tokio Marine Hall, em São Paulo, para conferir de perto o Masters of Voices. No palco, Eric Martin, Tim “Ripper” Owens, Edu Falaschi e Jeff Scott Soto apresentaram sets individuais, unidos por uma banda de altíssimo nível e por um repertório capaz de agradar fãs das mais diversas vertentes do rock e do heavy metal.
Apesar de o Tokio Marine Hall não estar lotado, quem compareceu fez bastante barulho e entrou no clima desde o início. Em nenhum momento houve disputa por protagonismo. Cada vocalista teve seu espaço, enquanto Felipe Andreoli, Marcelo Barbosa, Leo Mancini e Edu Cominato seguraram o show com muita técnica e entrosamento.
Eric Martin abriu a noite apostando exclusivamente nos clássicos do Mr. Big. Simpático desde a primeira música, conversou diversas vezes com o público, arriscou palavras em português e mostrou que continua dominando a arte de conduzir uma plateia. As baladas “Wild World” e “To Be With You” transformaram o Tokio Marine Hall em um grande coro, enquanto faixas mais pesadas como “Daddy, Brother, Lover, Little Boy” e “Colorado Bulldog” lembraram por que sua voz continua sendo uma das mais marcantes do hard rock.
Na sequência, Tim “Ripper” Owens elevou a intensidade do show. Seu repertório foi o mais pesado da noite e encontrou uma plateia pronta para cantar clássicos do Judas Priest do início ao fim. “Electric Eye”, “Painkiller” e “Breaking the Law” incendiaram o público, mas foi a potência vocal de Ripper com seu carisma e presença de palco que roubou a cena. Os agudos impressionaram e mostraram que o cantor continua em grande forma, recebendo uma das respostas mais calorosas da noite.
Representando o metal brasileiro, Edu Falaschi optou por um repertório inteiramente dedicado ao Angra. Em vez de apostar apenas nas músicas mais rápidas, privilegiou composições que destacam sua interpretação, como “Acid Rain”, “Millennium Sun”, “Waiting Silence” e “Heroes of Sand” O público respondeu com entusiasmo, especialmente em “Rebirth”, um dos momentos de maior participação coletiva durante sua apresentação, mas também rolou aquela baladinha clássica Bleeding Heart
Responsável por encerrar o espetáculo, Jeff Scott Soto transformou o último bloco em uma verdadeira festa. Dono de uma presença de palco impressionante, circulou entre os fãs, brincou em português, relembrou histórias e apresentou músicas que passearam por diferentes fases de sua carreira. A homenagem a Ozzy Osbourne com “Mama, I’m Coming Home” trouxe um momento mais emotivo antes de o clima voltar a subir com “I’ll Be Waiting”, “Separate Ways” e “Stand Up” que é trilha sonora do filme/musical Rock Star de 2001, mostrando a versatilidade de um cantor que transita com naturalidade entre hard rock, AOR e heavy metal.
Se os quatro vocalistas foram os protagonistas, a banda merece destaque especial. Felipe Andreoli, Marcelo Barbosa, Leo Mancini e Edu Cominato não atuaram apenas como músicos de apoio. Foram responsáveis por dar unidade ao espetáculo, transitando com naturalidade entre estilos muito diferentes e mantendo o mesmo nível de excelência do início ao fim.
O encerramento, com os quatro vocalistas dividindo o palco em “Living After Midnight”, do Judas Priest, resumiu bem a proposta do Masters of Voices: reunir grandes nomes do hard rock e do heavy metal em uma celebração sem disputas por protagonismo. Mesmo sem casa cheia, o projeto deixou a impressão de que o público presente assistiu a um encontro raro e especial.
Fotos: Rogério Talarico/Top Link Music | Texto: Vanessa Savi Pereira
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