Com Suhai Music Hall lotado, Helloween encerra passagem pelo Brasil reunindo Michael Kiske, Andi Deris e Kai Hansen em uma celebração de quatro décadas de heavy metal
Por Vänessa Letigre
São Paulo recebeu, na noite de 19 de setembro, uma verdadeira celebração da história do heavy metal. O Helloween subiu ao palco da Suhai Music Hall com sua turnê comemorativa de 40 anos, diante de uma casa com ingressos esgotados.
Estive no local acompanhando a apresentação e, desde os primeiros minutos, ficou evidente que não se tratava apenas de mais um show da banda no Brasil. Havia um forte componente de celebração e nostalgia, principalmente pela possibilidade de ver Michael Kiske, Andi Deris e Kai Hansen dividindo o mesmo palco, representando diferentes momentos da trajetória do Helloween.
Quatro décadas reunidas no mesmo palco
A apresentação começou com “March of Time” e percorreu diferentes fases da discografia. Clássicos como “Future World”, “I Want Out”, “Halloween”, “Eagle Fly Free”, “Power” e “Dr. Stein” dividiram espaço com músicas mais recentes. O repertório registrado para São Paulo também trouxe “I’m Alive”, indicada como estreia nesta turnê.
Um dos grandes méritos do espetáculo foi justamente conseguir transformar os 40 anos de carreira em algo que não soasse apenas como retrospectiva.
Kiske segue sendo uma figura central quando o assunto é a fase clássica do grupo, enquanto Andi Deris representa décadas fundamentais da história posterior do Helloween. Kai Hansen, por sua vez, carrega consigo as próprias origens da banda. Quando os três aparecem juntos, o público não está simplesmente diante de três vocalistas: está assistindo diferentes capítulos da história do Helloween acontecendo simultaneamente.
E isso ficou ainda mais evidente na reação da plateia aos clássicos.
Em vários momentos, as vozes vindas da pista praticamente se transformaram em parte do espetáculo. Para quem cresceu ouvindo essas músicas — algumas lançadas há quase quatro décadas — cantar junto em 2026 produz uma sensação bastante diferente de simplesmente ouvir os discos em casa.
Uma produção à altura da comemoração
Visualmente, a proposta da turnê reforçou o caráter comemorativo. Telões, iluminação e elementos ligados à identidade do Helloween ajudaram a transformar o palco em uma grande celebração dos 40 anos.
A Suhai Music Hall oferece uma estrutura de grande porte, com pista coberta e climatizada, palco enorme, painéis de LED e diversos pontos de alimentação e bebidas.
A casa, entretanto, ainda desperta opiniões diferentes entre frequentadores.
Em avaliações de outros eventos realizados no local, há elogios à estrutura, ao tamanho e à facilidade de acesso pelo Shopping SP Market e pela região da Estação Jurubatuba. Por outro lado, também existem relatos de espectadores que consideram o palco baixo para uma casa desse porte, principalmente para quem está nas regiões mais afastadas da pista, além de críticas pontuais envolvendo filas e operação de bares e banheiros e estacionamento que se mistura aos clientes do shopping dificultando para estacionar e fazendo com que os clientes dediquem mais tempo em busca de uma vaga.
É importante fazer essa distinção: essas críticas fazem parte do histórico recente de avaliações da casa e não somente atribuídos ao show do helloween
Kiske, Deris e Hansen: o encontro que dá sentido à turnê
Talvez seja justamente essa formação ampliada que faça a comemoração dos 40 anos funcionar tão bem.
O Helloween poderia simplesmente montar um repertório de grandes sucessos e sair em turnê. Mas reunir músicos associados a períodos tão diferentes transforma a proposta em algo maior.
Quando Michael Kiske interpreta material da era clássica, existe uma conexão imediata com os discos que ajudaram a consolidar o power metal. Quando Andi Deris assume o protagonismo, outra longa fase da banda ganha espaço. E Kai Hansen conecta tudo isso às origens do grupo.
A noite foi avançando até chegar a um encore especialmente forte: “Eagle Fly Free”, “Power”, “i want out” e o encerramento com “Dr. Stein” com balões laranjas em comemoração aos 40 anos de helloween e muitas fitas coloridas, caindo sobre o público deixou a galera ainda mais empolgada.
Nesse momento, pouco importava se alguém conheceu o Helloween nos anos 1980, durante a era Deris ou recentemente. Gerações diferentes estavam cantando as mesmas músicas.
Mais do que aniversário
Depois de quatro décadas, talvez o aspecto mais significativo da apresentação em São Paulo seja perceber que o Helloween não precisa viver exclusivamente da nostalgia.
Existe, evidentemente, uma enorme carga emocional em ouvir “Future World”, “I Want Out”, “Eagle Fly Free”, “Power” ou “Dr. Stein”. Mas há também uma banda ainda em atividade, apresentando material novo e colocando diferentes períodos de sua própria história lado a lado.
Para quem estava na Suhai Music Hall naquela noite, os 40 anos do Helloween deixaram de ser apenas uma data comemorativa.
Viraram uma experiência coletiva.
E, quando as luzes se apagaram e o público começou a deixar a casa, ficou aquela sensação típica dos grandes shows: o palco pode até ter silenciado, mas algumas músicas continuam tocando na cabeça durante todo o caminho de volta para casa.
Fotos: Bárbara Matos
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