Arkona, Leaves’ Eyes e Atrocity entregam show de alto nível em São Paulo

No domingo, 23 de novembro, o Carioca Club recebeu a passagem da turnê que reuniu três forças do metal europeu em uma mesma noite: Atrocity, Arkona e Leaves’ Eyes. A proposta de três shows pelo preço de um prometia uma experiência intensa — e, no palco, a entrega foi de altíssimo nível. O que surpreendeu negativamente foi o público abaixo do esperado para um line-up desse porte, deixando a sensação de que as bandas mereciam uma casa bem mais cheia.

A noite começou com o Atrocity, que abriu os trabalhos com sua sonoridade agressiva e direta. Alexander Krull comandou o palco com autoridade, entregando um set pesado, cortante e preciso. A banda apresentou um entrosamento seguro e preciso, com execução afiada e dinâmica coesa ao longo de todo o set. Faixas como “Desecration of God” e “Death by Metal” deram o tom da apresentação, mostrando que, mesmo com o público reduzido, a postura do grupo foi de total entrega. Krull, além de carismático, fez questão de agradecer diversas vezes a presença dos fãs brasileiros, criando uma conexão imediata com a plateia.

Na sequência, o Arkona tomou conta do palco e transformou completamente a atmosfera da casa. A entrada da banda foi acompanhada por uma explosão de energia que cresceu ainda mais com a presença hipnotizante de Masha “Scream”. Sua presença de palco é simplesmente absurda: intensa, imponente e absolutamente magnética. Cada música era conduzida não apenas pela força vocal, mas também pelos gestos, expressões e interações constantes com o público. O folk/pagan metal da banda ganhou contornos ritualísticos em faixas como “Goi, Rode, Goi!” e “Zakliatie”, enquanto “Zimushka” levou o público a um dos momentos mais catárticos da noite. O Arkona conseguiu criar uma atmosfera grandiosa, fazendo parecer que o Carioca Club era maior do que realmente estava naquela noite.

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Encerrando o evento, o Leaves’ Eyes trouxe seu symphonic metal épico e atmosférico para fechar a noite com chave de ouro. Elina Siirala mostrou mais do que potência vocal: esbanjou carisma, vitalidade e uma felicidade visivelmente genuína por estar se apresentando pela primeira vez no Brasil. Sem recorrer a exageros, sua presença cênica foi envolvente, criando uma conexão natural com os fãs desde os primeiros acordes. Em um dos momentos mais curiosos e memoráveis do show, a banda distribuiu doses de vodka para a plateia, arrancando risos, brindes e tornando a experiência ainda mais simbólica dentro da proposta viking do grupo.

O repertório passeou por diferentes fases da banda, com destaque para faixas como “Hammer of the Gods”, “Sign of the Dragonhead” e “My Destiny”, todas recebidas com entusiasmo pelos presentes. Alexander Krull, mais uma vez em evidência, mostrou versatilidade ao transitar entre os dois projetos da noite com extrema segurança, sempre fazendo questão de destacar a felicidade em retornar ao Brasil.

Ao término do show do Leaves’ Eyes, Krull e os demais integrantes desceram até a área de merch para conversar, tirar fotos e agradecer pessoalmente quem esteve presente, encerrando a noite de maneira calorosa e extremamente respeitosa com os fãs.

No fim, ficou a sensação de que São Paulo testemunhou uma noite de performances impecáveis, com músicos no auge técnico e emocional. Para quem esteve lá, foi uma celebração intensa do metal europeu em suas diferentes vertentes — do death ao folk, passando pelo sinfônico — em uma noite que ficará marcada pela qualidade artística e pela entrega absoluta no palco.

Por: Priscila Ramos

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