Death to All lota o Carioca Club em noite dedicada ao legado do Death

O Death to All entregou em São Paulo uma celebração intensa, respeitosa e emocionante do legado de Chuck Schuldiner no sábado, 24 de janeiro, no Carioca Club. Com produção da Overload, o projeto — formado por ex-integrantes do Death — encontrou uma casa completamente lotada, tomada por fãs de diferentes gerações, todos reunidos por um mesmo propósito: reverenciar uma das bandas mais importantes da história do death metal.

Anunciado para 19h, o show começou pontualmente, sem rodeios. Logo nos primeiros minutos ficou claro que a proposta da noite não era apenas revisitar músicas clássicas, mas recriar a força, a técnica e a emoção que sempre definiram o Death ao vivo. A formação, que reúne Gene Hoglan, Steve DiGiorgio, Bobby Koelble e Max Phelps, mostrou entrosamento absoluto e respeito total ao material original.

À frente dos vocais e da guitarra, Max Phelps teve uma atuação que merece destaque. Responsável por uma das tarefas mais delicadas do projeto — assumir linhas vocais imortalizadas por Chuck Schuldiner —, o músico mostrou segurança, respeito e personalidade, conduzindo o repertório com intensidade e naturalidade ao longo de toda a apresentação.

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A primeira parte do repertório passeou principalmente pelo período de Spiritual Healing, álbum que marcou uma virada lírica e musical na carreira do Death. Faixas como “Living Monstrosity”, “Defensive Personalities” e “Spiritual Healing” foram recebidas com entusiasmo imediato. O público respondia a cada mudança de andamento, riff mais técnico ou virada precisa de bateria, deixando evidente o quanto esse repertório segue atual.

Após uma breve transição, a banda mergulhou de vez na fase Symbolic, considerada por muitos como o auge criativo do Death. A execução da faixa-título deixou a atmosfera ainda mais densa, seguida por momentos altos como “Zero Tolerance”, “Empty Words”, “Crystal Mountain” e “Perennial Quest”. Mesmo para quem conhece cada detalhe desses discos, ouvir essas músicas ao vivo, com músicos que ajudaram a construí-las, trouxe um peso especial à experiência.

O show teve aproximadamente duas horas de duração, mantendo intensidade do início ao fim. A performance técnica impressionou, mas o que realmente se destacou foi a conexão com a plateia. Entre uma música e outra, surgiram agradecimentos sinceros, olhares atentos ao público e um clima constante de celebração coletiva. Não se tratava apenas de um tributo formal, mas de um encontro entre músicos e fãs unidos pela memória e pela importância da obra de Chuck Schuldiner.

No encore, a reta final foi marcada por emoção e catarse. “Spirit Crusher” e “Pull the Plug” fecharam a noite de forma explosiva, com o público cantando, batendo cabeça e ovacionando a banda. Antes da despedida, Steve DiGiorgio fez um discurso agradecendo o carinho dos fãs brasileiros.

A passagem do Death to All por São Paulo foi uma aula de história do death metal, executada com respeito, paixão e excelência. Uma noite que ficará marcada na memória de quem esteve no Carioca Club e que reafirma a força eterna da música criada por Chuck Schuldiner.

Por: Priscila Ramos

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