Na noite de 10 de agosto, um dos nomes sagrados do hardcore punk deu as caras no Fabrique Club em São Paulo. O 7 Seconds, pioneira da cena straight edge desde os anos 80, voltou ao Brasil — sua primeira vinda foi em 2015 — com a urgência e a energia intactas, numa apresentação lotada, produzida pela News Direction Produções.
O público, de ponta a ponta, parecia faminto. A abertura com “You Are Here” (ou algo equivalente a essa intensidade) detonou a pista, e logo a seguir veio a clássica vibração de “Walk Together Rock Together”. A plateia não ficou só nos braços erguidos — era mosh, era cantar junto, era suor e conexão.
O vocalista Kevin Seconds dominou o palco com carisma visceral, interagindo com cada canto do público. Momentos como “We’re Gonna Fight” e “Not Just Boys Fun” ressoaram como hinos coletivos, com o povo respondendo em uníssono. Foi impossível ficar parado — mesmo quem estava esperando a memória voltar com as letras, entrou no ritmo em segundos.
Apesar da formação atual — com Steve Youth, irmão do Kevin, no baixo, e o guitarrista Bobby Adams completando o trio — o espírito parece o mesmo da década de 80: urgência, convicção, simplicidade e um thrash melódico que não perdeu o impacto. A produção da New Direction ajustou bem o som: potente, sem excessos, deixando espaço para a voz e para a fúria dos instrumentos.
Quem estava no Fabrique testemunhou algo raro hoje em dia — um show que não precisava de efeitos nem grandes artifícios: só verdade sonora, presença de palco e público: o público que viveu aquele momento como uma comunhão intergeracional de resistência.
No fim, o 7 Seconds deixou claro: “Young ‘Til I Die” não é um slogan — é uma missão, presente, urgente e pulsante. Aquela energia transitou direto do palco para as veias da plateia. Foi história viva em São Paulo.
Por: Thiago Meciano
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