Em entrevista exclusiva ao Agenda Metal, Dani Nolden, vocalista da banda santista Shadowside, nos conta curiosidades, novidades e fala um pouco mais sobre o sucesso da banda nos Estados Unidos.
Por Cyntia Marangon
1- Olá Dani, primeiramente gostaria de parabenizar a banda pelo sucesso que cresce a cada dia. Gostaria que você resumisse um pouco da história da banda e o quanto vocês trabalharam duro para chegarem onde estão.
Dani: Foram muitas noites sem dormir, muitos dias sem comer, sem conforto, com muita persistência e perseverança para que chegássemos aonde estamos agora. E tenho certeza que isso vai continuar acontecendo, porque essa é a vida na estrada. Se você não ama a música e a vida em turnês com todas as suas forças, não é necessário sequer começar, porque realmente é algo que testa os limites de qualquer um. Em 2010, estávamos em turnê com o W.A.S.P. na Europa e aconteceu um bloqueio na estrada na Itália que transformou uma viagem de 3 horas em 8, o que nos obrigou a escolher entre comer ou chegar a tempo para fazer o show em Milão. Comemos um pão correndo ao chegar no local, tocamos o show e no final estávamos todos passando mal pela agitação e por termos comido rápido demais (risos). Hoje temos três álbuns lançados, shows em 21 países e tudo começou com uma mistura de sonho e brincadeira de adolescente. Ninguém nos levava a sério, é claro… provavelmente nem nós mesmos. Mas nós começamos por prazer, por ter paixão pela música, sem pensar muito sobre até onde poderíamos chegar. Só parei realmente para pensar em tudo que aconteceu até hoje durante a passagem de som do show em Helsinque, na Finlândia. Pensei “como estou longe de casa…” (risos)
2- Não posso deixar de mencionar que recentemente a banda alcançou o quinto lugar nas rádios americanas. O que vocês têm a nos dizer sobre isso?
Dani: Nós fomos a quinta banda mais adicionada à programação das rádios na semana antecedente ao lançamento do Inner Monster Out nos Estados Unidos, estreamos como a 35º banda mais tocada e pulamos para a 13º posição e hoje chegamos ao top 10 entre as mais tocadas, algo que nenhuma outra banda brasileira conseguiu alcançar antes, exceto o Sepultura. Foi surpreendente pra nós, é claro… muitas bandas estabelecidas, europeias e americanas, mal passam da 30º posição, nós estamos pela segunda semana seguida entre os top 15… não parece real até agora, sinceramente. Nós sempre acreditamos em nós mesmos, é claro, mas sucesso repentino nunca é algo que se espera. Nós já construímos uma carreira legal nos Estados Unidos com as turnês que fizemos por lá, mas isso é algo muito maior que qualquer coisa que havíamos alcançado até hoje.
3- Qual a sua expectativa sobre o prêmio internacional que vocês estão concorrendo, o 11º Independent Music Awards?
Dani: Sinceramente, nenhuma! (risos) Eu nem esperava estar entre as bandas finalistas, pois são milhares de bandas inscritas todos os anos e os competidores costumam ser bandas como Lacuna Coil, Vixen, All that Remains, Diablo Swing Orchestra. Inscrevi a Shadowside em segredo absoluto… quando saiu o anúncio dos indicados, os rapazes ficaram surpresos, sem entender de onde aquilo havia saído (risos). Estar entre esses 5 finalistas já é uma vitória incrível, qualquer coisa que acontecer a partir de agora será celebrado. Como o vencedor será escolha do público, quem quiser colocar o metal brasileiro no topo basta se registrar em www.independentmusicawards.com e dar 5 estrelas para a Shadowside na categoria “Metal/Hardcore album”.

4- Conte-nos quais são os planos para o Brasil, quais são os próximos shows por aqui?
Dani: Temos shows marcados para os dias 14 de Julho, no Araraquara Rock como headliners ao lado do Viper, 15 de Julho, em Belo Horizonte, no 6° Stone Metal Fest, e 20 de Julho, em Bauru, no Jack Music Pub. Mas ainda tem muito mais para acontecer, nossa vontade é fazer entre 10 e 15 shows no Brasil antes de voltar ao exterior. Queremos muito ir à regiões que nunca tivemos a oportunidade de visitar antes. Tocar no Nordeste é um sonho antigo, por exemplo.
5- Sobre o novo álbum, o que você tem a dizer sobre o reconhecimento dos fãs brasileiros e a também sobre a vendas no exterior do álbum “Inner Monster Out”.
Dani: Eu não poderia estar mais satisfeita, tanto com o reconhecimento dos nossos fãs aqui quanto com a recepção do disco lá fora! Ainda não saíram os números oficiais de vendas, pois o CD foi lançado recentemente nos EUA, Europa e mercado asiático, mas as gravadoras estão muito contentes e a divulgação está apenas começando, portanto parece que tudo está fluindo extremamente bem. Fãs de todas as partes do mundo parecem estar gostando muito do “Inner Monster Out” e eu acredito que é porque ficou claro que esse é um material espontâneo, que a banda realmente fez e toca com prazer. Quando fizemos o álbum, nosso único objetivo era agradar a nós mesmos, pois sentimos que não faria sentido compor algo para agradar ao mundo, sem que nós mesmos estivéssemos felizes. Não seria tão especial se nossos fãs nos dissessem que adoram o trabalho, que esse é nosso melhor CD até hoje, sem que nós concordássemos com eles, ficaríamos com a sensação de que faltou alguma coisa… porém hoje, com o “Inner Monster Out”, nada está faltando. Estamos felizes com o que criamos e muito gratos com o apoio do público.
6- Dani, o que você tem a dizer sobre a cena do heavy metal, atualmente no Brasil. O que você acha que deve melhorar, ainda falta incentivo para as bandas nacionais… diga a sua opinião.
Dani: Incentivo em que sentido? Sinceramente, eu acho que o incentivo tem que ser pessoal. Você tem uma banda se você gosta de ter uma banda, se você ama a música que escuta e faz. Não existe incentivo maior para um artista, na minha opinião. Claro, as coisas poderiam ser como em alguns países da Europa, onde músicos recebem salário para ser músicos… mas a realidade do Brasil é outra. Eu não vejo algo errado com a cena metal no Brasil, o público apoia o que gosta, uma grande parte da imprensa especializada dá espaço para quem está começando agora. Se tem algo errado, é conosco: músicos e bandas. Acho sinceramente que falta parar com o “apoie o metal nacional”. Metal brasileiro não é a segunda divisão do metal mundial pra precisar de apoio. Basta subir no palco, fazer um show matador, lançar bons álbuns, que o público vai estar lá e vai crescer cada vez mais. Se a casa não estiver cheia, a banda deve se concentrar em impressionar quem está presente e interessar mais gente para o próximo evento. Eu vi bandas americanas e europeias tocando para 50 pessoas ou menos, mas você não vai encontrar uma entrevista sequer dessas bandas reclamando do tamanho do público. Atualmente tem muitos shows acontecendo no Brasil, então o segredo seria fazermos como as bandas estrangeiras fazem… juntar 4, 5 bandas e cair na estrada em uma turnê. Porém não vejo isso funcionando tão cedo por aqui, pois logo no primeiro show seria uma guerra de quem coloca a bateria no praticável mais alto, quem fecha o evento e coisas assim. Acho que nós, bandas, antes de tentarmos mudar qualquer coisa, precisamos acabar com essa competição infantil que existe entre os músicos do país. Só então poderemos começar a estruturar a cena. Até lá, será uma guerra sem vitoriosos.
7- Como é fazer parte desse mundo do Metal, onde as mulheres estão em pequena quantidade. Apesar que atualmente as coisas tem mudado muito.
Dani: Eu não sei dizer se existe diferença, não sei se a Shadowside seria melhor ou pior sucedida se por acaso eu tivesse nascido homem. Mas sinceramente acredito que nada mudaria, penso que o público quer boa música. As mulheres estão em menor quantidade apenas porquê até poucos anos atrás, poucas mulheres se interessavam por metal ou por tocar e cantar em bandas. Quando a Shadowside começou, a grande maioria das meninas ia a shows de metal para acompanhar o namorado, hoje elas vão sozinhas ou com amigos porque realmente gostam do som, então é natural que mais bandas com mulheres apareçam. Nunca dificultaram minha vida, muito pelo contrário… bandas e promotores de shows sempre foram muito gentis comigo. Nunca senti resistência por parte do público, dos músicos que trabalharam comigo, nem de outras bandas, então acho que as dificuldades são as mesmas tanto pra homens quanto pra mulheres.

8- Quais são as influências da banda atualmente.
Dani: Nós não temos mais uma influência específica, ainda mais por termos gostos tão distintos dentro da banda… o playlist no nosso “iPod comunitário” na turnê toca coisas como Duran Duran, Pantera, Slayer e Enya (risos). Provavelmente tudo isso nos influencia e inspira, porém não consideramos como influências, pois não pensamos nas coisas que escutamos na hora de compor. Apenas temos a certeza de que todos os membros da banda estão satisfeitos, então todos os nossos trabalhos sempre vão ter algumas pitadas de thrash, power metal e hard rock, que é o que todos nós crescemos escutando.
9- Quais são os cinco melhores álbuns em sua opinião.
Dani: Skid Row – Slave to the Grind, Judas Priest – Painkiller, Helloween – Better than Raw, Ayreon – The Dream Sequencer e Dio – Holy Diver.
10- Quais são as cinco melhores músicas.
Dani: Estranged – Guns n’ Roses, Slave to the Grind – Skid Row, Painkiller – Judas Priest, Trigger – In Flames, Burn – Deep Purple. Mas mudo de opinião sobre isso com tanta freqüência que se você me perguntar amanhã, a resposta vai ser diferente. Os álbuns são um pouco mais estáveis (risos).
11- Dani, gostaria de agradecer a entrevista que me concedeu e desejar sempre todo o sucesso para a Shadowside. Por favor, deixe uma mensagem aos seus fãs.
Dani: Agenda Metal, muito obrigada pelo espaço, vocês desde o começo da nossa carreia nos apoiam e informam sempre os headbangers sobre as nossas atividades. Agradeço imensamente a todos os fãs por todo o apoio! Estou muito ansiosa para cair na estrada e encontrar todos vocês em algum show, fiquem ligados no nosso site, pois tudo indica que ficaremos bem ocupados durante 2012 e 2013. Curtam o “Inner Monster Out” e nos vemos logo!
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